A Capa


Miguel Falabella e Diogo Vilela são duas bichas maravilhosas. Falo isso porque assisti na última sexta ao musical "A Gaiola das Loucas" que encerrou sua temporada ontem no Teatro Bradesco em São Paulo. Fiz um passeio família. Fui com minha tia, prima, mãe e avó. Só as lulus. E eu.

A peça é ótima e antes de tudo, só pra situar: ainda não assisti a nenhuma das duas versões cinematográficas. Pretendo vê-las em breve, mas confesso que nunca tive muito saco para o filme com o Robin Williams. E também não sou muito chegado aos musicais. O único que eu tinha assistido antes desse foi "Hairspray" - outra produção com assinatura do Falabella.

Daí, desde que a peça veio para cá que eu ensaiava de assistir até que em um encontro familiar manifestamos nossa vontade e marcamos. Valeu muito à pena. Não sei muito bem o motivo, mas saí do teatro com a sensação de que a produção da "Gaiola..." foi mais cara que a de "Hairspray" - apesar de os cenários serem infinitamente menos trabalhados.

Todos já conhecem a história. Um casal gay dono de uma boate tem sofrido represálias de um político conservador. Quando o filho deles volta para casa está com casório marcado e quer apresentar sua família aos pais da noiva - que vem a ser o tal do político. O rebento pede então aos seus pais que deem uma maneirada na viadagem.

Tem coisa mais impossível? Lembrei de certa vez em que minha amiga B estava ficando com uma guria nova e esta tal menina não era assumida para seus amigos. Eu e mais algumas amigas acompanhamos B. até um bar, pois era aniversário da tal guria. E eis que ela nos pediu para não dar pinta.

Acho que foi a pior uma hora da minha vida nos últimos tempos. Eu que chamo carinhosamente meus amigos e amigos queridos de bicha tive que me policiar o tempo todo, para não ficá-las chamando de "bee". Sem falar na minha gargalhada, que convenhamos não é das mais discretas. E olha, que não foi a coisa mais fácil do mundo para minhas amigas lésbicas se controlarem.

Imagino que a grande maioria do público - majoritariamente heterossexual e paulistano - não tenha noção do que é vivenciar esse armário forçado, seja por algumas horas, dias, minutos ou a vida inteira. A atuação de Miguel e Diogo, no entanto, deram o tom exato do drama com uma boa dose de comédia. Afinal, a peça é sobre isso, não é mesmo?

E o legal é que o espetáculo conta até com um beijo entre os dois que serve de elemento surpresa para encerrar a história com chave de ouro. Por isso disse e repito: Miguel e Diogo vocês são duas bichas maravilhosas. Parabéns. Vocês arrasaram.

Ps.: A minha, a sua, a nossa querida Silvetty Montilla estava na plateia como convidada. Não deu para conversar com ela direito por um desencontro dessa vida. Mas acho válido perguntarem o que ela achou. E eu, se fosse vocês, sugeriria o Miguel Falabella para entrevistado do seu programa aqui no site A Capa. Por que não?


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Li no domingo no jornal a declaração de Claudia Jimenez sobre o fato de agora estar saindo com rapazes. A atriz, que estreia nesta semana a peça "Mais Respeito que Sou Tua Mãe!", disse que quando era mais gorda não se sentia suficientemente sexy e por isso se jogou nas mulheres.

Frase infeliz, mas que rendeu boas polêmicas. Na hora, lendo assim, não me surpreendeu, mas também não passou batido. O primeiro texto que li a respeito foi no Dykerama, de Hannah Korich, da editora Brejeira Malagueta. Recomendo. Tá bem lúcido. Concordei bastante com ele e até comentei lá.

Hoje li os blogs do Marcelo Cia e do Tony Goes que criticaram as reações adversas e lembraram que a sexualidade humana é fluida, mutável, variável e tudo o mais. Tendo a concordar com os dois também. Em partes. Também acho que nossas experiências na Terra vão muito além dos rótulos e marcas identitárias que assumimos para os outros.

Só que esse não me parece ser o caso da Claudia Jimenez. Sei lá. Desde que ela me apareceu namorando com o Rodrigo Phavanello - de quem as más línguas também não poupam especulações - e coincidentemente bem na época de uma peça em que eles atuavam juntos, que Claudia não me inspira confiança.

Pode ser implicância, bobagem minha, mas acho que essa "troca de lado" tem mais a ver com a indústria midiática do entretenimento em si do que com a fluidez da sexualidade humana. Vejam bem. ACHO QUE. É só minha opinião, um ponto de vista. Da vida pessoal dela e dos seus relacionamentos amorosos, quem sabe é ela.

Quando eu era pequeno e Claudia era Edileuza em "Sai de Baixo" pouquíssimo se ouvia falar de seu relacionamento homo. De repente teve o fim de seu casamento com Stella Torreão e, depois a "mudança". E bem na época da tal peça. Desde então Claudia não sai mais do Ego. Consequentemente, nem do Te Dou um Dado. O repórter Lucas Neves até insinua isso levemente no texto.

Há quanto tempo Claudia não consegue uma página quase inteira de Ilustrada - o que é um espaço considerável de divulgação de um espetáculo - como no último domingo? Já no Ego ela tá toda semana. #Quedize. Quem faz o julgamento de suas escolhas e do que é bom para sua vida, carreira e obra é ela, não sou eu. Só não sei se ela me parece muito feliz. Toda vez que vejo uma entrevista dela, Claudia me parece meio triste.

Enfim. Sexualidade, gordice, declarações e polêmicas à parte, a peça me pareceu bem interessante. É sobre uma família disfuncional. Tem um velinho que planta maconha e um irmão que quer comer a irmã, ou algo do tipo. Fiquei com vontade de assistir. E se depender das reações ao seu comentário para encher o Procópio Ferreira, a temporada será sucesso de público. Boa sorte, Claudia. Me manda dois convites depois, sua linda.


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Se existe algum limite para o mau gosto eu ultrapassei no Carnaval. Enquanto o mundo se divertia loucamente, umas amigas quase foram assaltadas na Augusta, assim como o último ônibus da linha que eu pego com freqüência, me entoquei. Não quis ver nem a chuva lá fora.

Aproveitei o tempo para filme e vídeo-game e um dos longas aos quais assisti foi um bem bizarro: "A Camisinha Assassina". Uma produção alemã de 1996 - mas com cara de anos 80 - passada nos inferninhos de Nova York.

A história é surreal. Num hotel da cidade alguns casos começam a surgir de homens que tem seus pênis arrancados por... bem... uma camisinha assassina. Um detetive gay começa a investigar o caso enquanto a mistura bizarra de látex com seres primitivos e mitocôndrias faz novas vítimas.
                                                     
O filme é longo, meio arrastado, mas tem lá seus momentos de graça. Tem bem a linha de "Christine, o Carro Assassino", com a diferença de não ser nenhuma força do mal a dominar o tal híbrido. O fim aliás guarda uma surpresa e uma mensagem difíceis de serem encontradas em filmes B do gênero.

Vendo o trailer lembrei daqueles filmetes fakes do Tarantino com o Robert Rodriguez que foram exibidos entre Planeta Terror e Grind House, sabe? Recomendo para quem estiver de bobeira. Quem sabe no próximo Carnaval?

Assistam sem preconceitos. E usem camisinha!


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Will

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William Magalhães é jornalista. Aqui ele fala o que der na telha.

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