A Capa


Heterofobia

Blog do Sergio em 04/06/2012


Nas ultimas semanas tenho saído do gueto e me misturado aos heterossexuais em seus eventos, fui ao casamento de uma prima e depois a festa Skol Sensation.

Quem vive demais no gueto costuma ficar chocado com a diferença de comportamento e a forma cafona de viver dos heterossexuais.  São tantas as diferenças.

Eu gostei muito dos dois eventos, foi bom rever familiares  e ver a felicidade da minha prima, e foi bom dançar lá na mega estrutura e, principalmente a musica do Skol Sensation.

A Skol tenta vincular a cerveja a musica eletrônica, mas todo mundo sabe que ela combina mesmo é com samba e pagode. Musica eletrônica combina com vodka, energético e outras coisas mais. As pessoas no festival parecem deslocadas, dançam como se tivessem convulsão ou recebendo espirito e ainda são capaz de colocar o dedinho pra cima, igual àqueles bailes velhos de carnaval.

No ônibus que leva até o camarote, tivemos que ouvir aquelas piadas babacas de heterossexual, eles têm 30 anos, mas parecem ter 15, e vão falando tanta bobagem e só eles riem, as mulheres parecem desesperadas por homens. E ainda ficam dizendo "pontuei cinco caras".  Sem falso moralismo, mas que ganha uma idiota dessa beijando cinco caras em uma hora? Se ela ainda tivesse feito algo mais... Só correu o risco de pegar herpes.

Ainda no ônibus, para garantir mais possibilidade de arranjar macho, duas amigas periguetes  sentaram-se  separadas, então nós sentamos no banco e todo mundo grita, "se deu bem", mas eram marmanjos de 30 anos ou mais.

Na festa, uma estrutura incrível, mas sem vibe, um clima de quermesse. Eu olhei e pensei se dessem essa estrutura pro Almada ou pro Zanardi fazer uma festa gay, isso seria completamente diferente. Ia pegar fogo realmente. É não é atoa que os hts e as periguetes  dizem que festa boa é feita por gays, por isso eles entopem as boates gays.

O discurso de um casamento católico é ou deveria ser incomodo pra gays, o padre tenta de todo modo dizer que o casamento valido é do homem e da mulher, só esse tem amor, e só esse é que serve. Pelo menos nesse da minha prima ele terminou com "eu vos declaro esposo e esposa", e não mais com aquele "marido e mulher", que coloca a mulher em posição inferior. E o pior, ele generaliza o mundo como católico, ele completamente desconsidera que alguém pode ter outra religião, ou como eu ser ateu. Mas claro tudo vale pelo sonho de uma pessoa querida.

Outra diferença do meio gay é a aversão a roupas sociais, heterossexuais costumam se exibir através de gravatas, enquanto gays preferem as roupas caras. Um bom exemplo, é que num cruzeiro heterossexual tem aquela noite cafona e chata da noite de gala do capitão, e pra jantar no restaurante principal, tem que estar todo social. Num cruzeiro gay, mesmo nos navios mais sofisticados do mundo, todos podem se vestir como preferirem, inclusive nos restaurantes mais sofisticados podem jantar de regata e chinelo.

Essa incursão não é em vão, até o final do ano lanço um produto voltado para heterossexuais, já tenho nome, domínio, quase o logotipo e todo o projeto. Mas sinceramente, falar nesse linguajar de comercial de cerveja ou do programa pânico é realmente difícil para um gay, eu acho ridículo.

Talvez você seja heterossexual e esteja se sentindo incomodado com esses preconceitos, eu exagerei e aumentei muita coisa propositalmente pra gerar esses minutos incômodos pra você, então assim você pode entender como os gays se sentem, só que no nosso caso é a vida toda.

Em minha defesa, eu digo que não sou heterofobico, a ideia foi mesmo pra exemplificar o que um gay sente quando alguém critica sua sexualidade, e assim como dizem, eu até tenho um amigo heterossexual.


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Daniela Machado : Existem os opressores, os oprimidos e os oprimidos que oprimem, para mim esse texto se enquadra muito nos oprimidos que oprimem, acho que primeiramente deve haver o respeito pelo ser humano, independente de sua opção sexual. Se eu luto pela liberdade sexual, que sentido faz eu criticar uma forma de sexualidade? No final do texto o autor diz que o objetivo é que os heteros sintam na pele o preconceito que eles sentem a vida inteira, no meu ponto de vista é muito mesquinho isso, eu sofri bullyng quando criança e então quero que todas crianças sofram?, cada um tem os seus tramas e os preconceitos que carregam na vida, acho que isto esta muito mais ligado com a forma que você olha para você mesmo, a gente vive em um país tão preconceituoso porque um é gay, outro é gordo, outro é pobre, e criar mais um tipo de preconceito para que? Olhando a obra do Portinari: Guerra e Paz, chego a conclusão de que realmente é preciso ter guerra para saber se um dia poderemos chegar a ter paz, porque é uma

zoroastro.rigveda: A crítica contrária é sempre bem vinda desde que fundamentada no respeito ao contrário, do diferente. Agora, a crítica contrária para diminuir, infligir submissão, infligir medo, ou até mesmo sofrimento psiquico, quando não, anulação do outro ser, aí não é crítica, é opinião tentenciosa com informação subliminar de diminuiçãoTRAVESTIDA de liberdade de expressão, certo Machão Heterossexual? Pimento nos olhos do outros é refresco.

Machão Heterossexual: Não há problema algum em criticar a heterossexualidade. Eu, como heterossexual puro e tolerante, sinto completamente à vontade com a sua crítica. E vocês também deveriam se sentir à vontade com a nossa crítica a vocês. Seu texto serviu muito bem para mostrar que a crítica não faz mal algum e deve ser protegida por lei, ao invés de ser perseguida e proibida por lei, como querem os totaliristas gays. Acho que mais textos como o seu deveriam ser escritos. Se buscássemos a tolerância, defenderiamos o direito das duas partes (hetero e homo) criticarem livremente a parte oposta. Mas não é isso o que vemos: vemos grupos se aliando aos governos para proibir a crítica contrária.

Santana: Assunto complexo e polêmico: Nem sempre gays e heteros tem estilos de vida diferentes, a maioria dos meus amigos são heteros, mas tenho mts amigos gays e até alguns trans e como somos todos rockeiros nossos programas são os mesmos, os assuntos são os mesmos, mas se falando em "baladas" realmente as baladas hetero são bem desanimadas se comparadas ao "fervo" das baladas gays, tanto q o número de heteros q frequentam boates gays tem aumentado muito... e eu acho que se eu frequentasse boates talvez fosse heterofóbico pq deve ser um saco ver aqueles(as) heteros cantando os gays e as lésbicas, sem contar o fato de vc dar em cima de um cara em uma boate gay e ele falar q é hetero e que quer pegar a sua amiga lésbica...Agora se a gente tentar fazer isso em um ambiente hetero é capaz até de apanhar...

Franco: heteros sao cafonas e as gays sao as certas? anos 90 ja acabaram!

masori: excelente texto! se tive a minha fase heterofóbica, diria que agora ela se desenvolveu para uma certa agorafobia (aversão à multidões). Mas na boa, hetero ou homo, acho que todos têm algo a nos dar. Masss... como disse o autor, essa parte das festas é indiscutível mesmo: na noite gay rola uma vibe bem melhor que a hetero.

Renard: "Rodrigo": eu é que fico impressionado quando ao invés de comentar os posts e/ou textos dos sites e/ou blogs as pessoas preferem comentar os meus comentários. Não é algo paradoxal?. Se tem uma coisa que realmente não sou é hipócrita. Ah, e ao vivo e em cores sou muito mais arrogante, pernóstico, sibilino, intransigente, intolerante etc que no virtual...rs...mas como nunca me importei com o que dizem/pensam de mim...rs....

Rodrigo: Me impressiono com as contradições do Renard! Kkkkkk. Primeiro fala da superficidade e futidade dos gays, mas vive criticando gay pobre, como se ter e não ter grana fosse uma simples opção, enaltece os ricos, os poe num pedestal, menospreza os afeminados... Enfim. Um poço de hipocrisia.

Edvaldo: A parte de beijar cinco numa hora poderia ter sido escrita sobre muitas baladas gays. Vejo isso direto e não entendo qual é a graça, mas parece que o autor e eu somos minoria no mundinho das baladas gays.

Augusto Treppi: Bem, eu sempre fui um pouco heterofobico, embora "tenha amigos hetero e conviva com eles numa boa". Acho o máximo isso, porque é assim que os hetero falam quando querem concorrer ao troféu cabeça boa. Imagina, "até tenho amigos gays". rsrs Só não concordo muito quanto a caras de 30 parecerem ter 15. Entendo, isso no comportamento. Porque se vc for olhar na aparência e mentalidade, caras hetero de 30 parecem ter 50, os de 50 parecem já ser múmias. Quanto às baladas, todo mundo sabe que balada boa é a balada gay. Mesmo na noite hetero, quem realmente realiza a festa são os gays, até mesmo os enrustidos. Gostei do post. Sem generalizar, claro, porque quando nos generalizam também dão muita bola fora. :)

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Sergio

Sergio

Sergio Di Pietro é diretor executivo do site e da revista A Capa

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