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Beeshas do Brasil: Há 22 anos, partia Lauro Corona, ídolo de uma geração

Por Lufe Steffen em 21/07/2011 às 19h32

Beeshas do Brasil: Há 22 anos, partia Lauro Corona, ídolo de uma geração

Uma reportagem publicada na revista "Joyce Pascowitch" no mês de maio focalizou a breve carreira e vida de Lauro Corona. O título foi bastante apropriado: "Garoto Interrompido". De fato, foi chocante e agressivo o desaparecimento de Lauro do cenário, como se sua trajetória iluminada e carismática fosse interrompida bruscamente.

E foi. Em 20 de julho de 1989, a morte do ator entristeceu o público, depois de meses de uma árdua luta de Corona contra problemas de saúde. Embora nunca tenha sido admitido pela família, tudo indica que ele foi vítima do HIV. Os familiares, hoje, também já se foram: a mãe, Maria Alice, o padastro - o cantor e músico francês Louis André - e a única irmã, Luciana. A identidade do pai biológico do ator nunca foi divulgada.

Lauro Corona nasceu no Rio de Janeiro em 6 de julho de 1957. Adolescente, na década de 70, ele começou a fazer trabalhos como modelo fotográfico e como ator de teatro. Tornou-se um astro da publicidade dos 70, estrelando comerciais variados, incluindo um do cigarro Commander, em 1976 - filmete que acaba de ser resgatado no YouTube.

Dono de uma beleza estarrecedora, não demorou para Lauro ir parar na televisão, estreando no caso especial da Globo "Ciranda Cirandinha" (1977, que não tem relação com a série homônima produzida pela emissora no ano seguinte). O trecho inicial do programa também está no YouTube.

Em 1978, ele estreava em novelas, no sucesso avassalador "Dancin' Days", interpretando o garotão rico Beto, que se envolvia com Marisa (Glória Pires) e Vera (Lídia Brondi). Nascia aí a intensa amizade entre Lauro e Glória na vida real.

Com o sucesso de Beto, Lauro tornou-se um novo astro jovem global - o cenário era bem  diferente de hoje, quando temos dezenas de jovens aspirantes a "atores" infestando a TV. Seguiram-se as novelas "Os Gigantes" (79/80), "Marina" (80), "Baila Comigo" (81), "Elas por Elas" (82), "Louco Amor" (83) e "Corpo a Corpo" (84/85).

Além de Glória, outra parceria marcante de Lauro foi com a atriz Lídia Brondi - hoje também sumida dos holofotes. Lauro e Lídia formaram par romântico em "Dancin' Days" e "Os Gigantes", e foram irmãos em "Baila Comigo".

No cinema, infelizmente, Lauro atuou em apenas duas produções: "O Sonho não Acabou" (81), onde contracenava com Lucélia Santos, Miguel Falabella e Chico Diaz; e o clássico new wave "Bete Balanço" (84), fazendo par com Débora Bloch e contracenando com Cazuza. Um terceiro filme com Lauro seria "Brasa Adormecida" (87), do grande cineasta Djalma Limongi Batista. Djalma pensou em Lauro para compor um triângulo amoroso com Maitê Proença e Edson Celulari. Mas acabou optando por Paulo César Grande - Lauro estava com problemas de agenda para filmar e era muito baixinho, da altura de Maitê, o que poderia enfraquecer o triângulo.

Em "Bete Balanço", nascia uma amizade real entre Corona e Cazuza. O cantor do Barão Vermelho tinha algumas afinidades com o astro global - certa semelhança física e a paixão pelo rock. O desaparecimento dos dois artistas também teve trágica semelhança: Cazuza chegou a opinar sobre o assunto na imprensa, afirmando que Corona provavelmente sofria de HIV; já que o próprio Cazuza sabia muito bem do que estava falando e já tinha anunciado publicamente que era soropositivo. Mas Lauro partiu exatamente um ano antes de Cazuza, que morreu em julho de 1990.

E nessa ligação com o rock, Lauro se arriscou como cantor, chegando a gravar dois compactos - para os mais novos: os compactos eram disquinhos de vinil, geralmente com duas músicas, que testavam o artista antes de lançá-lo na aventura de gravar um disco inteiro, o chamado LP. No total, Lauro deixou quatro faixas com sua voz: "Não Vivo Sem Meu Rock", "Tem que Provar", "O Céu por um Beijo" e "Tudo Pode Acontecer". O flerte com a música já tinha dado sinais em 1978, quando ele gravou um clipe musical para o "Fantástico": a canção "João e Maria", ao lado de Glória Pires.

Na mesma fase de roqueiro, Corona virou apresentador do programa dominical juvenil "Cometa Loucura" (84), ao lado de Carla Camurati. Antes, ele já tinha apresentado o musical "Globo de Ouro", e ainda apresentaria algumas edições do "Vídeo Show".

Além da mini-carreira de cantor pop, Lauro continuou na Globo, onde atuou em participação especial no início da novela "Vereda Tropical" (84/85), e estrelou ainda a minissérie "Memórias de um Gigolô" (1986, onde fez seu melhor trabalho em TV). Vieram por fim as novelas de época no horário das 18h: "Direito de Amar" (87) e "Vida Nova" (88/89).

E foi durante "Vida Nova" que começaram a aparecer os sintomas de que o ator estava doente. Afundado entre a perseguição da imprensa, constantes internações e recuperações fugazes, Lauro acabou pedindo sua saída da trama onde era o protagonista, o português Manoel Victor. O personagem deixou a história antes do término. E foi a derradeira atuação do ator.

Muito se falou sobre a vida pessoal do astro global. Lauro nunca apareceu publicamente com nenhum caso amoroso. Nunca surgiu em capas de revistas com pseudonamoradas e mantinha sua vida íntima em total discrição. Acabou sendo comparado com o galã da Hollywood dos anos 50, Rock Hudson - mas este terminou revelando que era gay e soropositivo, pouco antes de morrer, em 1985.

O ator chegou a processar uma revista nos anos 80, pois a publicação comentou o fato de ele nunca ser visto com namoradas. Segundo consta, ele manteve um duradouro caso amoroso em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. E tinha o hábito de sumir em noitadas após apresentar os famosos bailes de debutante em cidades do Brasil inteiro.

Mas apesar de tanto burburinho sobre sua sexualidade, o que ficou mesmo foi a obra do ator. Atualmente, o trabalho de Lauro pode ser revisto nos filmes que fez - "O Sonho não Acabou" foi lançado em DVD e "Bete Balanço" pode ser visto em exibições no Canal Brasil ou rastreado na internet - e até mesmo em algumas novelas: basta mergulhar no mercado paralelo de sites de downloads ou mesmo passear no YouTube. Cenas do ator em "Dancin' Days", "Baila Comigo", "Corpo a Corpo" e "Vida Nova" estão por lá. E em breve ele poderá ser visto em DVD: a Globo Marcas anunciou o lançamento da caixa com a novela "Dancin' Days", onde Lauro exibe uma atuação ainda inexperiente, mas repleta de vida e criatividade.

Fica aqui nossa homenagem a esse ator que, como raramente vemos hoje em dia, conseguiu reunir talento dramático, sensibilidade, carisma e beleza e provou que estava longe de ser somente um menino bonito.

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Comentários








paulo: Gostaria de saber sobre o falecimento dos pais e da irmão do Laurinho. Se estivesse vivo ele teria a minha idade, portanto acompanhei toda sua carreira e até hoje fico triste ao lembrar de sua breve trajetória.

Arnold Filho: Endosso tudo de bom que foi dito sobre Lauro Corona. Ator brilhante, rosto belíssimo. Ainda hoje faz falta aos seus amigos e aos seus fãs. Eu o admirava e continuo venerando a memória de Lauro Corona. Foi um dos rostos mais bonitos da televisão. Infelizmente não mais se encontra entre nós, vitimado por essa doença horrível, que também levou Cazuza e outros artistas inesquecíveis. A saudade continua em todos nós!

Petit Lion: Oi Lufe. Muito boa a coluna. Sou muito fã do Lauro (seu amigo Celuzo sabe disso, rs). Cabe a nós fãs manter sempre viva a memória dele, pra que as novas gerações possam sempre conhecer o trabalho desse grande astro, que partiu tão cedo, e deixou tanta saudade. Aproveito para sugerir que você fala uma coluna sobre Alair Gomes, um fotógrafo brasileiro maravilhoso, que fez muitos trabalhos homoeróticos super reconhecidos no exterior, e terminou assassinado pelo namorado em 1992. Dá uma pesquisada sobre ele na internet, é realmente alguém que merecia ser lembrado na coluna. Abraços.

tony souza: è, realmente qem tem hj na faixa dos 45 a 50anos sabe muito bem do q o nobre Lufe esta falando. Foi uma época maravilhosa e muita gente boa e qeria se foi por conta desta maldita doença, qtos amigos perdi. Parabens pela reportagem

Linda Emanuély: Estou muito feliz pela homenagem prestada a ele, merece e muito. Eu mesma sempre o citei, tinha admiração profunda por ele - tive sorte de ver boa parte da trajetória desse ASTRO!. LINDA EMANUÉLY - SEMPRE LINDA EMANUÉLY!

Leitor: Que gato, hein? Tem um ator americano que, para mim, tem o mesmo carisma que o Lauro - talvez pela coincidência temporal dos acontecimentos. Trata-se do Campbell Scott que fez o papel do Willy em "Meu Querido Companheiro". Revelei meu sentimento pois o artigo sobre o Lauro Corona está muito bom e creio haver me despertado essa antiga associação que ficou latente em minha memória - talvez por causa do Lauro haver falecido pela AIDS e o filme falar do aparecimento da AIDS em NY. Lauro Corona morreu jovem e teria um futuro brilhante à frente. Certamente que do pouco de deixou já podemos contar com ótimas recordações.

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