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Gays na TV: ruim com eles, pior sem eles

Por Marcelo Hailer em 25/03/2011 às 19h06

Gays na TV: ruim com eles, pior sem eles

Não importa que tipo de personagem LGBT esteja presente em qualquer produto teledramatúrgico: as pessoas parecem estar condicionadas a reclamar sempre - e negativamente, claro.

Mas por que reclamam? Quando uma série ou novela é lançada, costumamos analisar os personagens, se são verossímeis, afeminados, másculos, enfim, dissecamos-os por completo. Mas o público - boa parte dele pelo menos - parece nunca estar satisfeito: se é um gay afeminado, diz que reforça preconceitos; se é másculo, é higienizado para agradar a família; se é espalhafatoso, quase travesti, nossa, aí é uma guerra.

A questão é: as pessoas, de tanto quererem ficar longe dos estereótipos, não conseguem conviver com nenhum tipo de personagem gay, seja ele qual for. A impressão é que estamos diante de uma paranoia moderna: não parecer com nada e parecer com tudo ao mesmo tempo. Será que esse drama não tem a ver com a falta de identidade? Ou será que esse incômodo com as representações gays na TV está ligado à seguinte questão: de tanto querer ficar em busca de uma identidade, esquecemos de agir com naturalidade e não lembramos que qualquer um pode ser gay ou hétero?

Dos personagens discretos aos assumidos
Apesar do barulho em torno dos personagens LGBT é inegável o fato de que nos últimos cinco anos os gays nas telenovelas saíram do armário. Basta analisarmos a atual novela das 21h, "Insensato Coração", escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares. No folhetim, há um personagem gay, Roni (Leonardo Miggiorin), no núcleo principal. Mas já andaram reclamando que Roni é uma bicha estereotipada...

Afinal, quem não é estereotipado? As pessoas esquecem que no dia-a-dia todo mundo vive um personagem: do executivo ao gay tresloucado. E por que nas telenovelas ou minisséries teria de ser diferente? Se justamente a construção dos personagens está baseada em tipos que permeiam o imaginário popular e do autor?

Acontece também que parte dos LGBT que critica esses tipos esquece que o mesmo acontece com os personagens heterossexuais. Novela é ficção, portanto, representação fantasiada de uma dada realidade.

Se fizermos um balanço levando em conta a primeira década deste século XXI, vamos constatar que tivemos homossexuais para todos os gostos, tanto na produção nacional quanto na estrangeira. Sem contar que tivemos os seriados "Queers as folk" e "The L Word", um ambientado no mundo gay e o outro no lésbico. Quanto a este último, a crítica dizia que estávamos diante de gays e sapatas bonitas, ricas e chiques. Porém, quem assistiu a uma das duas séries, sabe que ambas retrataram de maneira muito verossímil o cotidiano LGBT.

Esse incômodo quanto à representação da homossexualidade na televisão tem seu pé na homofobia internalizada e no machismo. Também tem uma forte ligação com a questão do binarismo de gênero, que encerra as pessoas entre homens e mulheres, héteros e homos. Talvez se a sociedade conseguisse superar as categorias sexuais e as tais identidades de gêneros, as pessoas não se incomodariam tanto com as representações televisivas em geral.

É preciso dizer que, enquanto vivemos sob o esquema binário, é ótimo que continuemos a ter personagens LGBT na teledramaturgia. Como apontado no título, ruim com eles, pior sem eles. Antes uma representação plastificada da realidade que a invisibilidade que encerra a comunidade gay no gueto e na ausência de direitos civis.

As novelas, ao lançarem o debate sobre a homossexualidade, fazem com que todas as classes sociais discutam o tema e revejam os seus costumes. É isso que faz a democracia ficar melhor e mais tolerante.

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Comentários








Linda Emanuély: Quando vejo as travas e as beachas daqui do pedaço eu girto: - BEACHÍÍÍÍÍSSÍÍÍÍÍÍÍÍÍMAAAAAASSSSSSSS. Vira um fervo só, adoooroooo as beachas loukíííííssimaaaaaa, aquelas bem fervidas, bem sonrizal, bem flores, bem reluzentes, bem gliter, bem tudooooooo. LINDA EMANUÉLY - SEMPRE LINDA EMANUÉLY!

Andre: Sou gay e fico P... da vida quando vejo esses personagens afetados na tv. Por que não mostram uma pessoa normal? Que tenha um emprego amigos, namorado, e que não seja chamado de "bicha", "viado", "bi" e coisas do tipo? Será que ser gay é isso? Eu tenho certeza que não! Agora pra piorar o JORGE FERNANDO, vai atuar como um "ex gay". Que palhaçada". Por que não um ex hétero? Eu conheço vários "ex héteros", entretanto, ex gay, só em personagem da Globo ou em alguma "igreja" por aí.

Rodrigo Franco: Concordo com a reportagem que qualquer que seja a forma de abordar o tema, inevitavelmente, a polêmica será detonada. Porém, a "bichinha caricata" (que era a única forma de se apresentar um personagem gay até muito pouco tempo atrás), além de já ter cansado, a meu ver, acirra preconceitos. Ser homo diz apenas de pessoas do mesmo sexo se unirem (sexualmente, afetivamente, ocasionalmente, etc...). Ser homo não obriga ninguém a ter que ser um homem afeminado ou uma mulher masculinizada, muito embora, se o quiserem ser também não deve haver nada que os impeçam. Finalizando, parabenizo a revista pela matéria e endosso a forma de pensamento do editor que nos diz que apesar do barulho, a aparição de personagens gays nas novelas provocam discussões e só estas são capazes de gerar mudanças nas sociedades. Então que os personagens continuem aparecendo.

jose carlos: concordo com algumas coisas, mas oque acho é que tem muita gente com inveja , porque nao tem objetivos pela vida de lutas ficam colocando defeitos em quem luta.

Brunão: Meu.. o fato é que, SEMPRE VAI TER ALGUÈM PRA CRITICAR.. isso acontece pq há ( e GRaças Deus há) divergência de opiniões. Gente, é fácil pensar que ninguém pensa igual.. então aq questão de existirem personagens estereotipados na TV só tem a nos ajudar. Sou gay.. assumido para quem me perguntar ou quiser saber.. não sou afeminado e sei lidar com homos e heteros. Isso se chama CIVILIDADE. E quem tem, sabe "passear" nos dois "mundos" sem maiores problemas. A DIVERSIDADE é tudo de bom!!!!!

Tar: Sou gay, discreto, não afeminado e apenas meus entes e amigos próximos sabem. Concordo que a comunidade sempre procura estereotipar ainda mais determinados comportamentos. Mas como disse Lord Marcos, estou me lixando para isso. Tenho uma vida absolutamente normal, trabalho, namoro, saio, estudo e não me preocupo mais com o que as pessoas vão pensar sobre mim. Aos 33 anos é maravilhoso ser quem eu sou.

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