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15/7/2010

Argentina: um exemplo de cidadania plena


 

Depois de 14 horas de debate, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado na Argentina na madrugada do dia 15 de julho de 2010, com 33 votos a favor, 27 votos contra e três abstenções. Uma mudança tão pequena de redação, com tanto significado para a igualdade de direitos. A reforma substitui as palavras "homem e mulher" da versão atual da legislação por "cônjuges", permitindo assim que casais do mesmo sexo também possam contrair o matrimônio.
 
Congratulações à querida aliada Cristina Kirchner e seu governo, à Câmara dos Deputados, ao Senado, às pessoas militantes LGBT, e a todo o povo argentino. Esta aprovação é um gesto de civilidade.
 
A Argentina agora, sem dúvidas, torna-se um país com mais igualdade e inclusão. Todos e todas são vitoriosos pela decisão histórica. Afinal, universalizou-se este direito.
 
Vocês, hermanos e hermanas, devem se orgulhar do feito. Vocês são o primeiro país a reconhecer a igualdade dos direitos humanos de pessoas LGBT em nossa região, onde existe ainda muito machismo e homofobia.  E são o décimo no mundo a avançar nessa garantia. Agora vocês estão ao lado da África do Sul, Bélgica, Canadá, Espanha, Holanda, Islândia, Noruega, Portugal, Suécia e Suíça. Orgulhem-se!
 
Foi o maior debate na sociedade argentina desde a aprovação da lei do divórcio em 1987.
 
Do lado dos argumentos contra - muitos deles irracionais, ilógicos, retrógrados, conservadores e fundamentalistas  - disseram que somos inférteis, filhos do diabo, desviados, antinaturais, pervertidos, abomináveis, projeto do demônio, que queríamos destruir a família tradicional, e implantar a filosofia de Sodoma e Gomorra; seria o apocalipse, um "risco para o futuro da pátria", iríamos acabar com a perpetuação da espécie... Como bem resumiu a presidente Cristina Kirchner, "o discurso da igreja recorda os tempos da inquisição e das cruzadas".
 
Também, não vamos tripudiar os vencidos. Afinal, qual deles ainda ousam falar que a terra é quadrada ou que os negros não têm alma? Eles também vão mudar lentamente, daqui uns 500 anos talvez.
 
Venceu o discurso racional, lógico e sólido, a honestidade intelectual e liberdade de consciência, provando que esta lei é mais um instrumento de luta contra a discriminação. Venceu o estado laico e a secularidade do código civil.
 
Um fato importante é que apesar de ser uma iniciativa de duas parlamentares da esquerda, Silvia Augsburger e Vilma Ibarra, parlamentares de todas as matizes ideológicas e partidárias votaram e foram a favor do projeto.
 
Para ficar na história, seguem alguns dos argumentos a favor apresentados por parlamentares da situação e da oposição:
 
Ao apoiar a mudança, o líder do bloco da oposição radical, Gerardo Morales, afirmou que "chegou a hora de sancionar normas que se adaptem a novos modelos de vínculos familiares" e relembrou a existência de "modelos de famílias diferentes (aos) que tínhamos há 30 ou 40 anos". Segundo ele, apesar das polêmicas e disputas, "ganhou o debate cultural" no país, diante da participação da sociedade na discussão.
 
O senador socialista Rubén Giustiniani, que votou a favor da lei, disse que o perfil da sociedade argentina mudou e por isso era o momento da aprovação do texto. Segundo ele, dados oficiais indicam que 59% das famílias argentinas já não atendem ao perfil tradicional de pai, mãe e filhos. Mas de mães solteiras, casais separados e casais homossexuais.
 
"Hoje é um dia histórico. Pela primeira vez na Argentina se legisla para as minorias", afirmou o senador Miguel Pichetto, líder do bloco do governo, acrescentando que "aqui não haverá mais casamentos do mesmo sexo só porque aprovamos esta lei. O objetivo desta norma é eliminar a discriminação".
 
A senadora Victoria Blanca Osuna defendeu: "as questões que estão em jogo nesse projeto não são religiosas ou morais. Nós estamos perguntando a nós mesmos a responsabilidade da democracia com as minorias discriminadas".
 
Nas palavras do senador Eduardo Torres, "a única diferença entre gays e heterossexuais é que eles têm menos direitos na sociedade argentina. Nós não podemos aceitar a discriminação que ocorre em várias partes da sociedade."
 
Já o senador Luis Juez, da opositora Frente Cívica, optou por apoiar o governo porque, mesmo cristão, entende que "nem na Bíblia há um parágrafo onde Cristo fosse contra os homossexuais". Ele lembrou que o código civil é "uma instituição laica, em um país laico. O Estado argentino passou a reconhecer a mudança social, e a projetou juridicamente."
 
A senadora Maria Eugenia Estenssoro, da opositora Coalición Cívica, argumentou que o projeto é "necessário" para os casais do mesmo sexo. "Esta lei permitirá que os homossexuais possam assumir publicamente suas relações."

Com certeza, a comunidade LGBT brasileira está com "uma certa inveja arco-íris". Aqui estamos sendo menos ousados, estamos pedindo somente a união estável, e mesmo assim estamos tendo a maior dificuldade com fundamentalistas religiosos. Vamos analisar e discutir esta nova conjuntura.
 
Não vamos desistir. Vamos nos inspirar na Argentina. Vocês venceram uma etapa importantíssima, agora sejam felizes e continuem lutando para mudar a cultura.  A mudança das leis não quer dizer a mudança de cultura.
 
Para quem não foi escravo, a libertação da escravatura foi um fato histórico relevante. Mas para quem era escravo, foi a melhor coisa que aconteceu. Da mesma forma para nós LGBT, a aprovação do Casamento Civil é a abolição de uma das tantas discriminações imposta à nossa comunidade.
 
No Brasil pelo menos 78 direitos civis expressamente garantidos aos heterossexuais na legislação brasileira são negados aos homossexuais. Para isto, há uma possibilidade que a união civil poderá chegar aqui também, a partir de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que deve examinar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 132-RJ e a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4277, nas quais se argumenta que negar o direito de união às pessoas do mesmo sexo viola os princípios constitucionais de igualdade. Nisto, já temos apoio do Presidente Lula e da Advocacia Geral da União.
 
É um absurdo que a essa altura da história nossa sociedade ainda esteja discutindo se deve ou não universalizar os direitos. Mas, apesar do poder de grupos religiosos fundamentalistas contrários à mudança, mais cedo ou mais tarde, a lei será aprovada no Brasil também, garantindo dignidade e combatendo a discriminação.
 
Como o Presidente Lula falou na abertura da I Conferência Nacional LGBT, "Ninguém pergunta a orientação sexual de vocês quando vão pagar Imposto de Renda, ninguém pergunta quando vai pagar qualquer tributo neste País. Por que discriminar na hora em que vocês, livremente, escolhem o que querem fazer com o seu corpo?" 
 
A querida aliada presidente Cristina Kirchner resumiu tudo, estamos felizes e satisfeitos com a vitória.
 
Esta vitória mudou o mapa da região, como mostrado na imagem que abre este artigo.
 
Amores iguais, direitos iguais, nem menos, nem mais. Que viva a cidadania plena, sem discriminação de qualquer natureza. Que viva a Argentina, e que continue dando exemplo para o mundo de como devem ser tratadas as pessoas LGBT.
 
* Toni Reis convive com seu marido há 20 anos. É especialista em sexualidade humana, mestre em ética e sexualidade, doutorando em educação, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e diretor da Associação para a Saúde Integral e Cidadania na América Latina e no Caribe.

Postado por Toni Reis* | 18:50:44 | Comentários(7)

29/6/2010

Homenagem ao jovem Alexandre Ivo

Se tivesse dado tempo...

Se tivesse dado tempo eu iria a algumas festas, em outras não seria convidado, mas iria mesmo assim, sabe como é, coisas de um menino de 14 anos.

Se tivesse dado tempo eu iria ao shopping no ano que vem e compraria um presente pro meu namorado que eu nem sei quem poderia ter sido.

Se tivesse dado tempo, poxa, eu achava que ia dar, eu sentaria no ponto do ônibus pra esperar nada nem ninguém, apenas pra ver a vida correndo e me invejando sem pressa alguma.

Se eu soubesse que não daria tempo, eu comeria mais brigadeiros, mais balas 7 bello, teria lambido mais bacias de bolo que minha mãe certamente faria, eu furaria todas as latas de leite moça do mundo e teria experimentado os doces lacrados do mercado.

Se passasse pela minha cabeça de menino bobo que a vida pode ser interrompida e que matam gente como se mata bicho, eu teria feito as pazes com o amigo que briguei dias antes, teria dito a minha mãe o quanto a amava, dez vezes por dia e a abraçaria já com pena do que ela teria que suportar. Do peso que é a ausência de quem se pariu pra amar.

Se tivesse dado tempo, eu picharia o muro do meu colégio lembrando a todos de se amarem mais, de se beijarem mais, de não deixar passar em branco qualquer sentimento bom que se tenha, porque a vida pode sim se transformar em morte em dez segundos.

Se tivesse dado tempo eu explicaria na sala de aula à professora de Biologia, o motivo de eu ter rasgado o capítulo do livro em que dizia que o homem nasce, cresce, se reproduz e morre.

Se tivesse dado tempo eu teria pedido a minha mãe pra ver Alice no país das maravilhas em 3d, comendo pipoca, ia pedir por favor pra ela não brigar por eu querer o combo maior, ah mamãe, seria o último...

Aí, na confusão de gente que entra e sai da tela, eu ia fugir e escapar com o chapeleiro maluco da covardia do mundo que não precisa de óculos especiais, mas precisa lenços pra enxugar lágrimas.

Se eu imaginasse que aos 14 anos minha mãe deixaria de me dar a mesada pra comprar meu caixão eu juro que teria ido pela outra rua, eu juro que viraria pássaro e chegaria em casa voando, observando os covardes do carro branco, os assassinos de crianças perdidos feito bobos procurando o menino biônico que acabara de cruzar os céus feito uma estrela iluminada.

Se me dessem tempo de argumentar, eu teria apenas dito a eles pra que cuidassem então da minha mãe, eu só pensei nela a cada segundo triste.

Se tivessem me dado escolha, eu escolheria viver é claro. então não acreditem mais quando dizem que a vida é feita de escolhas. Nem sempre é assim.

Se tivesse dado tempo eu teria passado a senha do orkut, do twitter e pediria ao meu melhor amigo pra escrever luto e mandar em mensagem automática o que realmente aconteceu, um retrato falado em 140 caracteres. E o mais importante em apenas nove, EU TE AMO.

Se por acaso eu tivesse tido tempo de chamar minha mãe, eu teria dito a ela que estava doendo, que ela me abraçasse e passasse o merthiolate que não arde.

Se por acaso tivesse dado tempo, eu teria me declarado a ele, teria dito que o amava muito, mas tinha vergonha de dizer com medo que ele somente achasse graça e virasse de costas.

Se por acaso tivesse dado tempo, naquela fração de segundos onde a vida dá lugar a morte, eu teria beijado a face de quem minha face deixou irreconhecível.

Se tivesse dado tempo e por Deus, tinha que ter dado, eu me formaria juiz. Porque quem me matou certamente matará novamente, porque quem mata criança tem a alma doente e sem sombra de duvidas estaria um dia sentado na minha frente ouvindo a sua condenação.

Se tivesse dado tempo eu teria gritado por socorro, pro Ben 10, pro Naruto, Pro Super Homem ou pro Zorro, porque em nenhum momento eu acreditei que não fosse uma obra de ficção, Até o derradeiro momento em que não tinha mais ar, não tinha mais forças e não sentia mais meu pequeno coração.

Alexandre Ivo Rajão, 14 anos, foi assassinado na segunda-feira, 23/06/2010, em São Gonçalo-RJ.

* Rafael Menezes é vice-presidente do Grupo Cabo Free

Postado por Rafael Menezes* | 15:59:42 | Comente

17/5/2010

17 de maio: Lutemos contra a homofobia

Hoje é o dia mundial de combate a homofobia.
Uma homofobia que nos combate.
Uma homofobia que finge nos ignorar.
Que nos desdém, e detém sobre nós o medo.
 
Combatemos a homofobia disfarçada.
Lutamos contra o ódio gritante.
Combatemos a homofobia do risinho e a do soco.
Tentamos acabar com os risinhos dissimulados.
E com calúnias sem sentido.
Lutamos contra a homofobia do uiuiui, aiaiai.
 
Permanecemos a favor de nós e dos outros.
Continuamos em causa própria, mas sempre coletiva.
Acreditamos sermos milhões.
Mas não esmorecemos quando só vão vinte.
Permanecemos.
 
Permanecer diante da homofobia.
Já é uma forma de fazê-la se sentir sem valor.
Continuar, já é por si mesmo, resistir.
Se nós resistirmos ela se entregará.
Ao continuarmos, quem abandona o barco é ela.
 
Que a homofobia. A dissimulada e a escancarada.
Morra de fome e sede, na sua batalha já perdida.
Que ela e seus contaminados, possam fenecer.
Com o veneno de sua própria língua mordida.
 
Daqui a pouco vamos poder dizer:
Lutamos na guerra contra a homofobia.
Esta, que tentou nos exterminar psicológica e fisicamente.
Ela que fez milhares chorar e amaldiçoar a vida.
A que parecia grande e intransponível.
Levou centenas a mortes e suicídios.
Esta hoje feneceu, morreu. Não existe mais.
De sua essência, as pessoas agora têm vergonha.
Sua existência fez tanto mal.
Que agora está criminalizada.

Postado por João Silva Junior | 16:17:7 | Comente

16/3/2010

O poder e os gays

Leio que pesquisadores da Kellogg School of Management, nos Estados Unidos, comprovaram cientificamente, em estudo recente com voluntários, aquilo que uma vez me disseram e eu ainda era um adolescente: O Poder corrompe.  O Poder muda as pessoas para pior e revela quem realmente somos. Ok, isso já é um chavão falar. Mas não estaria ocorrendo o mesmo com gays que conseguiram  atingir uma forma qualquer de poder e com os assim chamados "lideres"  do Movimento LGBT Brasileiro? Senão, vejamos.

Um pouco mais tarde, já adulto, conheci algumas pessoas legais, cheias de sonhos, sentimentos, vida. E repletas de moralidade, eram empáticas e solidárias com seus pares, acreditavam na possibilidade da construção de Cidadania e Direitos, enfim em um mundo melhor, mais justo e igualitário. Elas me fizeram muito bem, essas pessoas. Devo a elas não apenas uma resolução na minha sexualidade, mas também toda uma visão de mundo que carrego até hoje. Sou grato a elas e sou grato à sorte de ter, no meu caminho, cruzado com elas.

Mas o tempo passou, décadas e algumas dessas pessoas atingiram o(ou um pouco do) Poder; ou em partidos, em cargos eletivos; ou até mesmo dentro das instituições e ong's onde outrora militavam com sonhos e hoje militam com a carteira.  Presidências, diretorias, etc. Ou com a vaidade e espelhos que sempre estiveram  junto ao ego deles, mas, antes, era disfarçado ou não percebido, nem por ele nem pelos outros que o cercavam.  E aí, muitos desses lideres que eu tanto admirava, passaram a comprar apartamentos, restaurantes, usaram a estrutura das ong's para trampolim político; cometeram desvio de verbas e teve um que chegou a vender "voluntários" para uma pesquisa de um novo medicamento para Aids, embolsou a comissão paga pela multinacional farmacêutica e escondeu o dado de que aquela pesquisa não era ética: utilizavam da monoterapia quando esta já era condenada pelo consenso médico mundial por favorecer a resistência viral e muitos desses pacientes vieram a falecer ou ficaram cegos. 

Foi justamente por causa do absurdo desse "estudo" que, posteriormente, foram criados "comitês de Ética" obrigatórios para todos os posteriores. Institutos que nunca fizeram nada pelos LGBT's e que usam o nome de vítimas da homofobia foram criados apenas para facilitar o ganho de passagens, hotéis, viagens nas inúmeras "conferências" pagas com o dinheiro público, seu e o meu. Eram pessoas legais. Eu acreditei no sonho delas, que, ingenuamente, pareciam os meus. Eu não sabia, ingenuamente também, que elas quando atingissem o Poder mudariam tanto, venderiam seus sonhos a preço de banana, deixariam de te enxergar como um próximo, você deixa de ser um humano para ele e vira apenas mais um degrau de uma escada.  Tudo recheado de muitos sorrisos, promessas e aquela tradicional "alegria" que atribuem,  mistificadamente, para nós, gays...

Quando atingimos o poder, nos tornamos hipócritas. Achamos que estamos acima de qualquer regra moral e temos desculpas "n" para quando as descumprimos . Ora, se a Luta Homossexual seria justamente para denunciar a hipocrisia que existe numa heterossexualidade imposta como única forma válida de amar, como é que eu posso defender a hipocrisia quando me convém, politicamente?

O argumento usado por esses militantes partidaristas ou/e egocentristas é que "como fomos alijados de toda participação política - exceto a clandestina - durante a ditadura militar; agora devemos ocupar todos os espaços, inclusive os partidários...". Ok! É um belo argumento! Carrega muito de verdade, aí. Mas, somos humanos. E o ser humano é corruptível, como bem demonstrou o estudo da Kellogg School.  O que eu quero ressaltar aqui é que, quando esses mesmos militantes atingiram o Poder, seus sonhos de uma homossexualidade livre e plena de Direitos viraram um papel secundário ou nenhum. Passou a ser um mero discurso, mais para ser falado do que ouvido. Passou a ser um "faz-de-conta" partidarista, com parcos resultados para a comunidade LGBT. Argumentam ainda que só é possível alguma conquista pela política. Também é verdade. Mas política pode ser tudo, não apenas participação em partidos. Aliás, tem muita gente boa por aí que falou que "política passa bem ao largo de partidos". Se eu paro para pensar, para fazer um levantamento numérico de conquistas para a população LGBT vinda através de partidos e de partidaristas, em  32 anos de luta, encontro muito pouco resultado para muito falatório.

Há os que alegam que não temos opções. Temos, sim. Inclusive este aqui que vos fala também é corruptível, também é imperfeito e também mudaria se atingisse o Poder.  Então, sabe o que eu faço?   Rejeito o Poder. Fico na minha. Vou atrás justamente daqueles espaços já ditos que nada têm a ver com partidos ou com o Poder.  Não vou sorrir para governantes que um dia abraçam,sorrindo muito, a bandeira do arco-íris, nosso belo símbolo e, no dia seguinte o canalha do presidente do Irã, país que enforca homossexuais e , além do abraço, fica chamando esse presidente de "amigo", a cara de pau é tanta que, se questionado reafirma a amizade. Abraça o Fidel Castro, que nunca teve a dignidade de pedir desculpas públicas - e não públicas! - pelo massacre de homossexuais em seu regime ditador, violentador, discriminador e assassino.  Era esse "O Cara" que você acreditava, acreditava no sonho dele, quando ele era um mero metalúrgico corajoso, ainda não havia atingido o Poder? O sonho dele também era o seu... pra onde foi esse sonho mesmo?

O estudo da Kellogg School of Management pode ser lido na íntegra aqui.

Postado por Ricardo Aguieiras | 18:34:14 | Comentários(3)

2/3/2010

A Bíblia não condena a homossexualidade

Não há a necessidade de "defender-se da Bíblia", como afirmam alguns escritores gays. Artigos vêm sendo escritos como forma de manuais instrutivos para o homossexual se capacitar em contradefesa à Bíblia. Sinto-me na obrigação de refutar, pois são acusações injustas e levianas.

Se pararmos para refletir, veremos que é uma visão sem fundamentos. Talvez, a origem deste pensamento esteja relacionada à atitude de "militância gay", desenvolvida por meio de situações que levam o indivíduo desde a infância, ao enfrentamento do sofrimento e da dor de não ser aceito ou até mesmo, causado por preconceitos de pessoas que se utilizavam da Bíblia para condenação. Esta situação gera uma aversão ao objetivo utilizado como arma - no caso, a Bíblia -, rejeitando-a como mecanismo de proteção diante da dor.

Contudo, afirmo que o problema não está na Bíblia, e sim, em quem a lê. Portanto, não a desmereça, não atenue a importância da palavra de Deus nela contida ou contrarie sua autoridade e inspiração para a vida Cristã. Ao contrário, quem crê e ama a palavra de Deus, se esforça para entendê-la, e não apenas aceita o que é dito por cristãos que dela fazem uso, pois também são homens, suscetíveis a erros de interpretação.

É indiscutível que a Palavra de Deus é imutável: "passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão" (Marcos 13:31 / Mateus 5:18). Entretanto, o impasse que se tem sobre a Homossexualidade e a Bíblia, se encontra em sua interpretação, a qual é dirigida, essencialmente, ao momento histórico da época. A Bíblia menciona a homossexualidade, a partir da hermenêutica calculista de seus tradutores, analisando sempre de maneira seletiva os versículos. Isto pode ser evidenciado através de pesquisas modernas que têm enfatizado a hermenêutica tendenciosa de trechos bíblicos - uma interpretação que tem trazido trágicas conseqüências para homossexuais através de quase toda a história cristã.

Muitas vezes é necessário buscar fontes fora da Bíblia (História, Arqueologia, etc) e, estar imbuídos de boa-vontade para conhecer e entender o verdadeiro significado das passagens. Para tanto, é imprescindível conhecer as duas maneiras de interpretar a Bíblia: a LEITURA LITERAL e a HISTÓRICO-CRÍTICA.

A INTERPRETAÇÃO LITERAL, também conhecida como abordagem fundamentalista, alega entender o versículo justamente como se lê, sem interpretações. Não obstante, o cristão fundamentalista também segue uma regra de interpretação, apesar da contradição. Tal regra diz respeito à significação do texto que é feita no presente por quem o lê.

Já a LEITURA HISTÓRICO-CRÍTICA afirma que a significação do texto é dada por aquele que o escreveu no passado. Para afirmar qual é o ensinamento dado pelo texto bíblico hoje, primeiro é preciso compreendê-lo em sua situação original e, então, transportar seu significado para o presente. Este método é tão comum e efetivo que a maioria das igrejas o aceitam e o usam no sistema teológico, tanto acadêmico quanto no aperfeiçoamento profissional.

Mas as igrejas refutam esse método, ao citar passagens relacionadas à homossexualidade, pois acredito que elas têm receio das conclusões sugeridas pelo próprio método de interpretação histórico-crítico, que elas aprovam, pois este geralmente joga por terra algumas interpretações tradicionais.

Entretanto, não se iludam, pois sempre haverá pessoas que erguerão as Escrituras e citarão passagens que condenam as relações entre pessoas do mesmo sexo. Diante disso, os que crêem na Palavra de Deus, educados na tradição bíblica, em posição antagônica ao texto literal proferido, devem de forma inteligente e consciente, ser capazes de encontrar na Bíblia ensinamentos sobre a homossexualidade que revelam a natureza da criação.

Tampouco, devem-se promover debates, discussões e/ou retaliações com o objetivo de mudança de pensamento de cristãos conservadores e fundamentalistas que usam a Bíblia como afirmação completa e definitiva contra a homossexualidade, - mesmo porque o próprio Jesus disse que "não devemos atirar pérolas aos porcos porque eles vão apenas pisá-las" (Mateus 7:6) -, mas, sim, devemos ajudar a formar opiniões conscientes e a instaurar a conduta de fé homossexual cristã.

Em suma, creio também que sempre haverá o preconceito e a discriminação aos homossexuais, pois há no cristianismo uma tradição de séculos de proibição, medo e culpa. Contudo, se faz necessário que você encare isso como fato. Não perca a dignidade, sendo submisso perante os ultrajes cristãos, contudo, lide com isso de forma sábia.

* Tom Mayan é Graduado e Pós-Graduado na área de Ciências da Saúde. Possui conhecimentos em Psicologia, é Gay e Cristão, Colunista do site "Maringay" e autor do livro que retrata a homossexualidade e o Cristianismo chamado "Ser Gay e Cristão é possível!" - Site do livro:  http://www.sergayecristaoepossivel.com/; Contato: sergayecristaoepossivel@hotmail.com

Postado por Tom Mayan* | 20:11:36 | Comentários(9)

23/2/2010

Gays de Direita?

Antes de iniciar, gostaria de deixar claro que nunca fui nem serei filiado a partido algum e não me considero, nem "de direita"; nem "de esquerda" e muito menos "de centro". Acho essas visões pra lá de envelhecidas e penso que o mundo é bem mais colorido que apenas o branco e o preto. Ou o vermelho... E é isso que constrói a felicidade e , até mesmo Direitos, nunca dicotomias e maniqueísmos.

Estamos em 2010, o muro de Berlin caiu faz tempo, União Soviética não existe mais e a Guerra fria acabou. Se usamos tanto, hoje, a palavra "diversidade", que ela também seja aplicada nos novos conceitos e além de posicionamentos políticos tão ultrapassados. Já descobrimos que o ser humano é bem mais complexo, rico em suas incongruências , bem como a sociedade que ele constrói e vive.

Também não acredito no governo que aí está, não gosto do Lula, que vive sorrindo , fala muito "apóia" muito, mas pouco faz/ fez pelos LGBT; não gosto da Dilma, que reproduz uma arrogância e falsidade que me incomoda, não gosto do PT, que nega seus graves erros.

No entanto, fico , digamos, perplexo com o crescimento de algo que me parece equivocado e uma grave armadilha. Algo que eu chego mesmo a duvidar que possa existir, de tão ingênuo e romântico que sou... risos... : Os gays "DE DIREITA".

Um homossexual como eu, já de "certa idade" e que vivenciou o autoritarismo e a ausência de liberdade que existia na ditadura militar, que foi perseguido em sua orientação e sem nenhuma possibilidade de reclamar, não pode compreender como, hoje, possam existir homossexuais jovens e velhos defendendo um regime que causou muita, mas muita infelicidade e sofrimento, que calou a boca de muita gente e  foi, sim, extremamente homofóbico (apesar dessa palavra ainda não existir...); defensor do machismo, do patriarcado, da censura e etc. etc. etc. Hoje há blogs, comunidades no Orkut e outras redes sociais, sites, ong's (inclusive....ong's), de gays que dizem, cheios de orgulho, que são "de direita".

Até aí, tudo bem, morreu neves! Você tem o direito de ter o lado que for.  Mas o que vejo é bem mais grave, perigoso demais e uma armadilha: o revisionismo. Revisionismo agora aplicado e validado por esses homossexuais que se dizem "de direita". Outro dia, num site de "gays de direita", li o absurdo de que nunca houve tortura no período 1964/1985, um gay falando isso, dizendo que a tortura era uma mentira. Igualzinho aos revisionistas e negacionistas que negam o Holocausto.

Ora, eu também tenho medo que a Dilma seja eleita. Disse que não gosto dela, mas não gosto da Dilma de hoje, corroída pelo poder. Porém, não vou começar a criticar o passado dela nem a sua juventude de guerrilheira que foi, por que isso me parece ser o que ela tem de melhor,  ou seja, o seu passado. Nele havia sonho, havia coragem, havia revolta e tem uma grande distância do que ela foi e do que ela é, hoje. Minha mãe tem uma explicação meio fatalista para isso, ela diz que "a Lira dos 20 Anos é só uma vez na vida". Prefiro não ver assim, por que tenho exemplos dentro da História de gente que foi rebelde e fiel aos seus ideais até a morte.

Mas esse medo da eleição de Dilma e do continuísmo petista; do crescimento de ditaduras da Esquerda, assumidas, como Cuba, ou disfarçadas como na Venezuela ou Bolívia, não me leva a validar os crimes da Direita, no passado recente, nem a herança conservadora que deixaram. Não me leva a negar o que sofremos na mão de militares. Mesmo por que isso, além de burro, além de ser um tiro no pé, é desnecessário. Nesse desnecessário é que entra o absurdo da coisa. Por que, para apontar as hediondas falhas do governo, eu não preciso tentar reconstruir a História adulterando-a, basta eu ler os jornais, basta eu ficar atento.

Os erros e a desonestidade é tão evidente que, como um militante e lutador para um mundo mais justo, você só precisaria frisar essas denúncias em suas ações, sem nenhuma necessidade de fazer pactos com o diabo.

Gays defendendo militares??? Putz, isso dói! Militares NUNCA estiveram ao lado de gays, lésbicas, nunca. Exceto para matá-los ou açoitá-los. Exceto para negar qualquer reclamação vinda da população LGBT, para ameaçar e intimidar. Outro dia, num desses lugares virtuais, vi gay defendendo que "os militares, em 1964, vieram para apaziguar a sociedade..." Reparem no termo : apaziguar...

De 1978 até 1980 minha casa foi uma espécie de sede não oficial do Grupo Somos de Libertação Homossexual, que foi o primeiro grupo de luta dos Direitos Homossexuais no Brasil.  Depois de pouco tempo, passamos a receber ligações, ameaçados no telefone, havia uma viatura  da polícia militar constantemente em frente à casa; os editores do Jornal "Lampião da Esquina", que seria a primeira publicação séria e alternativa para homossexuais, foram todos presos e depois processados, reuniões com mais de três pessoas eram proibidas. Bombas eram colocadas em bancas de jornais do Rio, São Paulo e de Brasília, por terem "ousado" vender o Lampião e outros jornais alternativos. E foram colocadas por reconhecidas organizações de Direita, Elas assinavam seus atos de terror...

Vou contar aqui apenas o que acontecia com os gays e lésbicas e também com as travestis, em ações provocadas pela Polícia Militar, pela Direita que os "gays de direita" hoje defendem. Não era nada fácil ser gay na época da ditadura militar. Se fôssemos pegos nos cinemões da época, sem grana para o achaque e a chantagem, éramos levados para passar uma noite nas delegacias, lavando latrina. Vários corpos apareceram boiando no lago do Parque do Ibirapuera, vestidos com lingerie feminina.

A gente sabia que eram os militares que matavam e , numa triste piada, vestiam os gays, antes da desova. Se descobrissem algum gay no Exército, a expulsão era imediata e sumária, com o indivíduo tendo suas medalhas arrancadas, num ato público, sim, público, de humilhação. Não havia onde recorrer. Tive um amigo que foi pego transando com outro dentro de um quartel e, além de surrado e expulso, ligaram para os pais dele, contando que ele era gay. O delegado da Polícia Militar Wilson Richetti invadia a rua Marquês de Itú , reduto gay , e a boate que lá existia, a Homo Sapiens, prendia e surrava quem conseguisse pegar.

As travestis eram arrastadas pelos cabelos, recebiam cacetadas nas pernas e esse delegado - com o aval da ditadura de direita - tinha um especial prazer em colocar os seios das travestis numa gaveta de um móvel e fechar essa gaveta com toda a força, esmagando-os. Eu poderia falar aqui dos horrores que também aconteciam com não gays, mas deixa eu me concentrar nesse estupor de "gays de direita". Sim, a Esquerda nunca esteve no nosso lado. Mas, sinto dizer que a Direita também não.

Assassinatos eram consentidos, vergonha suprema, quem mandou ser viado? Richetti perseguiu também as lésbicas, invadindo seus bares e boates, uma ou duas noites na delegacia, alguns tapas na cara e chutes na vagina até sangrar, ameaças de estupro, algumas concretizada, existia a cultura que, se é sapatão "é por que não levou um bom banho de pica"...  isso seria "apaziguar"?

No meu romantismo, queria acreditar que a homossexualidade, devido à triste experiência da exclusão, poderia trazer maior lucidez, questionamentos e transgressão saudável. Não conformismos, não pactos com o que temos de pior no mundo. Seria ótimo que soubessem denunciar o discurso manjado e sufocante, mentiroso, da Esquerda sem validar o discurso da Direita, igualmente vilipendiador.

Os LGBT's poderiam, realmente, serem coloridos, não vermelho ou branco, apenas... O paradoxal é não perceberem, inclusive, que se a Direita tivesse vencido e os militares no poder, hoje existiriam esses mesmos blogs, sites e comunidades dos "gays de direita"? 

Não dá para você querer os 78 direitos que nos é, hoje, negados (segundo recente e importante estudo e pesquisa do grupo de defesa da cidadania LGBT Leões do Norte, de Pernambuco ) e ser de Direita ao mesmo tempo, já que alguns desses Direitos ferem cabalmente a ideologia direitista. Sim, como também ferem a ideologia esquerdista.

A Direita, hoje, seria "menos pior" que a esquerda petista, se atingisse o poder? Devemos votar no "menos pior"? É legal a censura, não poder falar o que se pensa? Ou vão negar, também, que houve censura?

O problema é um só: ser homossexual incomoda, incomoda sempre. Enganam-se quem pensa que num outro sistema de governo estaríamos melhores. Não somos bem vindos por quem está no poder; não somos bem vistos por que está no poder. Provavelmente, nunca seremos, somos minoria. Por mais incluídos que estejamos e independente do sistema ou ideologia de governo, a marginalidade sempre estará por perto, como uma sombra.

Portanto, cabe a nós, LGBT, inovar, não repetir chavões ou Eros do passado, não reproduzir comportamentos que já não deram certo, não mentir em nosso benefício, são frágeis os benefícios conquistados através da mentira.

Postado por Ricardo Rocha Aguieiras | 19:29:28 | Comentários(15)

19/1/2010

Beijo gay na tv, pode ou não pode?

Será que são hipócritas conosco ou é assim mesmo?

A GNT é um canal dito "a cabo" - mas, de qualquer maneira, acho que todos irão concordar comigo que os pais não colocarão o GNT na lista dos canais que crianças ou adolescentes não podem ver, certo?

E o que vocês dizem do bonito filme "Um inglês em Nova York", sobre o ator e artista Quentin Crisp, que tem os últimos anos de sua incrível vida interpretados pelo também famoso ator John Hurt?

Pois este filme com cenas "quentes" entre homens, bares de bears e rapazes "trabalhadores", discotecas e beijos de boca entre homens, fez parte da programação da GNT às 16 horas de uma gostosa quinta-feira. Veja na programação do dia 14/01/10.

Eu sei! Não tem nada de mais, e é bom que vejam que homens e mulheres se beijam quando se amam. Mas então porque numa pode e na outra vira coisa de moda? Afinal tem gay em quase todos os programas atuais, mas nada de beijo e carinhos em público. Só no cinema ou nos canais a cabo?

Hipócrita ou só "de acordo com as normas"?

Postado por Clóvis Casemiro | 18:30:21 | Comentários(12)

5/11/2009

Direitos Humanos das pessoas LGBT no Brasil

Cerca de 20 milhões de contribuintes brasileiros tem a orientação sexual assumidamente homossexual (gays e lésbicas) ou bissexual, além das identidades de gênero de travestis e transexuais. No ano de 2008 foi realizado em Brasília a primeira Conferência nacional de políticas públicas e cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - LGBT. O Governo Federal, por meio da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. ficou com a responsabilidade de fechar um Plano Nacional LGBT, com ações, metas, prazos e responsáveis para execução até 2011. Além disso ficou comprometido também a criação de uma coordenadoria e conselho nacional LGBT.

É importante que na próxima II Conferência Nacional LGBT avancemos para a criação de uma subsecretaria nacional de promoção dos direitos das pessoas LGBT, assim como já existem em outras áreas como idosos, crianças, pessoas com deficiências. Na atual conjuntura é importante que a subsecretaria promova iniciativas de parceria e articulação institucional que visem a garantia da população LGBT, especialmente com as ações já previstas no Plano Nacional LGBT. Importante que esta subsecretaria coordene as ações de implementação, monitoramento e aperfeiçoamento dos Centros de Referência LGBT, junto as 26 prefeituras das capitais do País e no Governo do Distrito Federal. E avançar para a que prefeituras das cidades com mais de um milhão de habitantes tenham também seus Centros de Referência LGBT.

Importante frisar a urgência da subsecretaria Nacional de promoção dos direitos humanos de coordenar a produção, sistematização e a difusão de informações dos CR LGBT realizar campanhas de conscientização pública, visando a inclusão de LGBT. O departamento de divulgação e promoção da temática dos direitos humanos deve consolidar e divulgar as informações de todas as ações executadas ou não do Programa Brasil sem Homofobia e as atuais do Plano Nacional de Cidadania LGBT. Este departamento deve ainda desenvolver briefings, planejar e produzir conteúdos para campanhas publicitárias institucionais e de utilidade pública, bem como acompanhar sua produção e execução para reduzir o alto grau de violência homofóbica no país.

Já o departamento de ouvidoria nacional em Direitos Humanos deve coordenar o serviço de atendimento telefônico gratutio, por intermédio do disque direitos humanos, destinado a receber denúncias e reclamações de pessoas LGBT de todo país, garantindo o sigilo da fonte de informações, caso assim deseje o reclamante. Este departamento deve atuar diretamente nos casos de denuncias de violações de Direitos Humanos de LGBT assim como na resolução de tensões e conflitos sociais que estão levando a exclusão escolar, expulsão de casa, violências domésticas, demissões no trabalho, latrocínios, espancamentos, assassinatos, tortura e impedimento do direito de ir e vir de milhões de pessoas LGBT que vivem no Brasil. Por fim, este departamento deve coordenar e manter atualizados o arquivo da documentação e do banco de dados de informações recebidas, especialmente de crimes cometidos contra LGBT.

Vale lembrar que a Coordenadoria Nacional LGBT deve ser implementada e incentiva nos 27 estados e Distrito Federal do Brasil, bem como o Conselho nacional LGBT deve ser implementado, com participação paritária entre representantes de Governos (quer seja do executivo, legislativo, judiciário ou Universidades públicas e estatais) e da sociedade civil organizada nacionalmente, através de uma pontuação que vai de 1 ponto pra cada estado ou Distrito Federal representado, 1 ponto para Cada Segmento L.G.B.T.T. que representar, 1 ponto para Cada Ong afiliada na Base e outro 1 ponto por registro em cartório, titulo de qualificação de Oscip, projetos nacionais executados pró-LGBT, sites com transparência de ações e organização interna e assento em organismos internacionais.

*Léo Mendes - Bacharel em Direito, especializado em Direito LGBT, Diretor da Associação brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT. Organizador do programa Brasil sem Homofobia e da I Conferência Nacional LGBT .

Postado por Léo Mendes* | 19:02:36 | Comente

21/9/2009

"Só a homofobia leva a declarações como a do técnico do Goiás", diz ativista

Esporte, preconceito e direitos humanos

A declaração do técnico do Goiás Esporte Clube, Hélio dos Anjos, de que "ciúme de homem com homem é viadagem" e que " No time do Goiás ele não contrata homossexuais" é de um alto grau de preconceito e desrespeito aos direitos humanos de 500 mil cidadãos Gays que vivem neste Estado. Importante ressaltar que quando se vende um ingresso, ou um produto de marketing do Time do Goiás, ninguém pergunta ao consumidor se ele é homossexual, mas na hora de agredir, o técnico utiliza-se de seu preconceito homofóbico para humilhar, difamar e excluir ainda mais a comunidade gay.

A Ciência diz que existem três orientações sexuais (e não opção sexual ) na natureza humana: heterossexual (de pessoas que sentem atração por pessoas do sexo genital oposto), bissexual (de pessoas que sentem atração por pessoas dos dois sexos genitais) e homossexual (de pessoas que sentem atração por pessoas do mesmo sexo genital ). O movimento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais - LGBT - calcula que 10% da população seja de cidadãos e cidadãs homossexuais. Os homossexuais masculinos são conhecidos por gays. Com exceção do desejo sexual-afetivo que sentem por outras pessoas do mesmo sexo, nada mais difere um homem homossexual de outro heterossexual. Portanto é preconceituoso dizer que não se admite jogador gay no futebol, no exército, na sala de aula, no consultório médico, na polícia, entre outros ambientes de trabalho.

Ciúme de homem para homem não é viadagem e nem pratica exclusiva de homens homossexuais. Um pai pode ter ciúmes do filho, um amigo pode ter ciúmes do outro amigo, um colega de trabalho pode ter ciúmes de outro colega, e todos eles podem ser heterossexuais. A homofobia (ódio de pessoas LGBT) leva a declarações como essa do técnico do Goiás Esporte Clube e tem raízes na cultura fortemente machista que prega a tese de que Homem não chora, não tem ciúme e nem contribui para atividades domésticas, abrindo exceção apenas para os gays. Estes mesmos machistas que pensam isso, normalmente acreditam que futebol, a vida pública, a política é coisa de homem heterossexual e que às mulheres e aos gays cabe a vida privada e os esportes que exijam mais arte que força muscular. Em pleno século XXI é duro ouvir declaração tão machista e homofóbica de uma pessoa que é paga para treinar um time como o Goiás e não para agredir a comunidade de Gays do Estado.

Existem homossexuais nos esportes, inclusive no futebol e se eles não se assumem é com o medo de serem demitidos por técnicos e dirigentes que pensam igual a Hélio dos Anjos. O preconceito é tão forte no futebol, que fez o movimento Internacional LGBT criar o Gay Games (Jogos Gays), mostrando para o mundo que existe preconceito nos esportes e que ele precisa acabar. Um problema tão grave como esse é o assédio sexual e moral feito por dirigentes, técnicos, massagistas e empresários de jogadores de futebol, que em troca da ascenção deles no time que treinam exigem favorecimento sexual. Se os conselhos tutelares, a Delegacia da Criança e do Adolescentes, o Ministério Público, pais e familiares de milhares de crianças e adolescentes jogadores de futebol, conversassem mais com eles, descobririam o alto índice de corrupção sexual no meio esportivo.

Se cada jogador que já sofreu o assédio sexual e moral de técnicos, dirigentes, massagistas e empresários fossem a Justiça cobrar reparação de danos morais, pelo assédio sexual, provavelmente os times de futebol brasileiros quebrariam nos pagamentos das indenizações. Esperamos que o técnico do Goiás, faça o seu trabalho treinando seu time e não jogando para os homossexuais a responsabilidade do péssimo desempenho de sua equipe.

*Léo Mendes - Presidente de Honra da Associação Goiana, de Gays, Lésbicas, Bissexuais , Travestis e Transexuais - AGLT liorcino@yahoo.com.br

Postado por Léo Mendes* | 13:10:55 | Comentários(25)

16/4/2009

Conferência de Genebra e os direitos de LGBT

Entre os dias 20 e 24 de abril de 2009,  vou participar em Genebra, na Suíça da  Conferência de Revisão de Durban, que  vai avaliar os progressos na consecução dos objetivos estabelecidos pela Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância, em Durban, África do Sul, em 2001. O Evento é organizado pela ONU, será realizado no Palácio das Nações  e contará com representantes de 280 países de todo mundo. Estou incluído na comitiva do Governo Brasileiro, como representante da Sociedade Civil.

A Conferência irá servir como um catalisador para cumprir as promessas da Declaração de Durban e do Programa de Ação acordado na Conferência Mundial de 2001 revigorado através de ações, iniciativas e soluções práticas, iluminando o caminho para a igualdade de cada indivíduo e do grupo em todas as regiões e países do mundo.

A amplitude e a ambição da Declaração de Durban e do Programa de Ação é um farol de esperança para aqueles que trabalham contra todas as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância conexa. A Conferência será bem sucedido capacitando os interessados em todo o mundo, fornecendo-lhes instrumentos concretos, estratégias eficazes e de boas práticas para a  luta diária contra o racismo, xenofobia e outras intolerâncias.

Nosso desafio é exigir  a devolução dos pontos 69 e 178 bis do texto de 26 de Fevereiro deste ano.Estes pontos foram  foram retirados no novo documento que discute esta sessão.  O texto do n º 69 é: Reconhece que as experiências de racismo, n discriminação racial, xenofobia e intolerância conexa são agravados , incluindo a discriminação em razão da orientação sexual e identidade sexual, e condena todas as formas de discriminação todos  outras violações dos direitos humanos com base em todos estes motivos.

O texto do n º 178 bis é: Ela apela aos Estados a desenvolver e implementar programas de formação e de sensibilização para n sensibilização do público, promover a tolerância e o respeito por aqueles que enfrentam múltiplas formas de discriminação , razão e  progresso na proibição de discriminações deste tipo  A relação entre raça , orientação sexual e identidades de gênero , mostra que índios, negros, ciganos Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - LGBT , no Brasil são  vítimas de dupla discriminação. Devido a sua raça/etnia e a orientação sexual ou identidade de gênero.

Na história nós LGBT fomos presos e assassinados em campos concentração nazistas durante o Holocausto, com o uso da marca de um triangulo rosa invertido. Hoje, gays e travestis estão mais vulneráveis ao HIV.Em alguns países a Homossexualidade é criminalizada e e em muitos cidadãos LGBT não tem nenhum direito civil. No Brasil , pouca gente sabe que existem Índios e Ciganos que são Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, e essa invisibilidade consente com as violências que estes LGBT sofrem em suas aldeias ou comunidades.

Como representante da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis - ABGLT estarei em Genebra insistindo para que autoridades de 280 países do mundo percebam que pessoas estão sendo impedidas de entrar  países desenvolvidas pelo fato de ter HIV e que existem Bi e Homossexuais sofrendo muito nas aldeias indígenas e nas comunidades ciganas. Falar em direitos humanos, fim de intolerâncias e esquecer os recortes de orientação sexual e identidade de gênero é um retrocesso. 

*Léo Mendes - Indiodescendente, Gay  e Secretário de Comunicação da ABGLT

 

 

Postado por Léo Mendes* | 18:23:25 | Comente


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