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Blog do Roberto Cushman - www.roberto.acapa.com.br

25/7/2008

"Eu sou apresentadora de primeira classe"

Da Folha Online de hoje: SBT veta entrevistas com menina Maisa

Como se o título não fosse chocante o suficiente, decidir ler a matéria. Bem, não estou querendo fazer a linha tedouumdado, mas como fã da cantora/apresentadora super dotada, decidir protestar contra o ato do SBT.

Segundo a nota, a decisão de calar a única pessoal que realmente tem algo a dizer neste país foi um consenso entre os pais de maisa e o SBT. A decisão foi baseada em seu sucesso. "A Folha Online apurou que os pais da garota estão assustados com a repercussão que as declarações da menina geram na imprensa, e também com o fato de ela ter virado sucesso no site YouTube, onde já foi vista por cerca de um milhão de pessoas", diz o texto da Folha.

Ora bolas. Primeiro os pais colocam a menino no programa do Raul Gil.... Agora, que ela atingiu a clímax da fama, começa a ganhar mais de vinte mil reais por mês e é destaque na mídia, eles querem proteger?! Helloooo!!!!

Calma. Não acabou. A nota continua:  "a assessoria do SBT informou que a decisão foi tomada como forma de "preservar a menina, que ainda é uma criança". Ah sim, o SBT faz uso de trabalho infantil para conseguir o primeiro lugar de audiência (em tempo, a Maisa é o maior sucesso da casa) e agora querem "proteger" nosso ídolo?!

A Folha afirma ainda que Maisa recebe de dois a três pedidos de entrevistas por dia. O maior do canal. É lógico. Queriam o quê? Que o Gugu falasse? O Ratinho? Ou melhor, Silvio Santos! Não, né!

Por isso, acho que deveria criar a Campanha: Não calem a Maisa!  Só falta começar a editar o programa da menina.

Postado por Roberto | 17:05:54 | Comentários(1)


17/7/2008

Viciado em blogs que usam e abusam da ironia e irreverência

Sempre achei que as pessoas que levam a vida muito a sério, têm pouco a contribuir. Dar risada, ser feliz e ver o lado cômico das coisas, sempre me faz mais alegre. Ultimamente me tornei viciado em dois blogs: Dispensável (blogdispensavel.blogspot.com) e o Te Dou Um Dado?.

"Carioca, moreno, sensual". Essa é a descrição do dono do blog Dispensável. Novo hit na blogosfera, o blog faz (ótimas) sátira e tiradas não somente de assuntos do mundo gay, mas também de celebridades e "das palhaças do mundo". 

Escrito por um carioca (olha que são poucos os cariocas que conheço com bom senso de humor), o blog surgiu da necessidade de seu autor dividir com amigos o seu bom humor diário. Bingo. Com pouco mais de um mês, virou sucesso na rede.

Em seu primeiro post, o autor que pretende não se revelar, dispara: "Bem, me rendi... todo mundo tem blog hoje em dia, então resolvi fazer o meu também. Tá, podem criticar que estou indo na onda da moda, que fiz só porque todo mundo tem. Tudo bem, é isso, vou na onda da moda mesmo; a não ser usar All Star com bermuda xadrex, porque eu tenho limites."

Meu segundo vício é o já famoso Tedouumdado.com.br . Segue linha parecida, mas diferente do blog carioca, escrito apenas por um gay, esse já tem um "Redação".  Escrito pelo trio Polly, Lele e Didi, o gay do trio, que deu entrevista exclusiva ao site A Capa, o blog hoje é sucesso absoluto. Já tem portal e, acredito, alguns processos nas costas, pois a especialidade do "veículo" é gongar personalidades tipo B , as gafes da mídia e fazer outting (tirar pessoas do armário).

Pelo jeito, é só o começo de uma vida mais leve e irônica. 

Posso assegurar que tenho uma lista de pessoas que deveriam ler mais esse blog!

Postado por Roberto | 13:16:22 | Comente


3/7/2008

Não é vidência, é experiência

A modelo Isabeli Fontana finalmente comentou sua "gafe" no programa da Hebe. Eu, em post ontem, prêvi o argumento usado pela modelo. Prêvi não, tenho experiência suficiente para conhecer preconceito de longe. Não a julgo, mas essa história é velha e conhecida. Repetição de enredo.

Postado por Roberto | 15:49:1 | Comente


2/7/2008

O que pensam de mim X Quem realmente sou

O assunto desta semana foi a polêmica frase da modelo Isabeli Fontana que disse durante entrevista ao programa da apresentadora Hebe não querer um filho homossexual. O fato fez-me pensar sobre a velha dicotomia entre quem somos e quem os outros, neste caso familiares, pensam que somos.

Boa parte de nossa vida, vivemos para agradar alguém. Talvez um pai, vô, chefe ou mesmo um amigo.  Desde cedo somos bombardeados com sonhos que não são nossos.  E este é exatamente o caso que acontece com os dois filhos da jovem modelo.  Homossexuais já sabem que não podem ser. Ou se forem, vão, no mínimo, decepcionar a mãe que "não gostaria de ter um filho homossexual".

Frase parecida com a de Isabeli foi dita por uma mãe quando seu filho se assumiu. Com intuito de justificar sua posição, disse que nenhuma mãe que ver um filho sofrer. E ser gay, em seu conceito, era sofrimento. Disse que sendo gay, enfrentaria preconceitos, seria rejeitado, passaria por inúmeras dificuldades e etc...  Para ela, uma mãe não poderia aceitar facilmente que um filho enfrentasse tantos problemas, sozinho em um mundo tão difícil a mudanças.

De fato, ser gay em um país como o Brasil onde a homofobia ainda mata e nossos direitos são negados, não é fácil. Porém, as mudanças devem começar dentro de casa. Uma mãe que acredita no sofrimento de um filho baseado em sua orientação sexual, nada mais faz do que fomentar o preconceito que tanto lhe assusta. É como o gay que vive uma segunda vida, mais preocupado com o que os outros pensam, do que com quem ele realmente é.

Por fim, pergunto: Seria melhor ser heterossexual ou homossexual? Viver mais pensando em quem sou ou no que os outros pensam de mim?

Postado por Roberto Cushman | 13:10:20 | Comente


10/4/2008

Somos seres de fase. E este ano vai ser de mudança. Uma já comecei. A outro está a caminho. Tomara que de tudo certo...

Postado por Roberto | 11:45:26 | Comente


14/3/2008

A vida é colorida. Tem muitas mais cores em nossa vida do que o preto e branco. Quem vive a teoria do “oito ou oitenta” é chato. Vive um piração sem sentido. Ou te amo ou te ódio. Se criticarmos algo, logo temos que passar a mão para não ter antipatia. Hello? Não é pessoal. É uma analise simples das coisas.  Será que é difícil entender?

Postado por Roberto, que não vive no branco e preto | 15:12:4 | Comentários(1)


13/3/2008

Hipérboles de nossa militância: Tudo é homofobia ou merece menção

Nossa militância tem uma cultura, em alguns casos, que pessoalmente não me agrada: dos exageros.  Nossos militantes são bons articulistas e conseguiram bons avanços. No entanto, às vezes se cegam ao não analisar com cuidados ações de terceiros. Nem tudo na vida é homofobia, nota de repúdio ou menção ou pedido de retratação.  

Se algum político ou celebridade faz algo considerado positivo por alguns membros da nossa militância é digno de receber uma menção honrosa. Foi o caso do Ministro do Supremo Tribunal Federal que defendeu os direitos homossexuais no jornal “Folha de São Paulo”.  Uma pessoa que está no mais alto cargo da justiça brasileira não poderia fazer outra coisa. Seu artigo foi justo com os cidadãos, a lei, os direito individuais, a constituição... É tão aplaudível quanto os outros milhares de magistrados que em suas comarcas sentenciam a favor de transexuais, lésbicas e gays (Será que eles também receberam menção honrosa?). E as notas que parabenizam autores de novela e celebridades, sem o mínimo envolvimento com a causa? São mesmo necessárias? Em sua maioria são apenas falas de novelas, personagens...

As notas de repúdio e pedidos de retração são ainda mais exageradas e desnecessárias quando falamos em celebridades e suas ações. É o recente caso do ator e modelo Rodrigo Hilbert (FOTO) que foi obrigado a pedir retração por um “estou parecendo uma bichona” durante aulas de dança para o quadro “Dança dos Artistas”, do Domingão do Faustão. Como o próprio Hilbert lembra em sua resposta e pedido de desculpas, o bordão de Severino, personagem do humorista Paulo Silvino, não ofende a tal comunidade gay.  E não ofende mesmo. Eu não me senti ofendido. Aqui na Redação ninguém se sentiu.  Rodrigo diz em seu texto que é necessário respeitar para ser respeitado. E acho que ABGLT desrespeitou o ator.

“Fico um pouco triste em ter que me retratar por algo, que no fundo do meu coração, não teve a intenção de agredir, ridicularizar ou sequer constranger qualquer ser humano. Entendo que eu tenho, como pessoa pública, que exercitar uma fala e uma atitude politicamente correta, mas quando reflito a partir do meu coração, confesso que me sinto confuso. Por exemplo, chamo a minha mulher de pretinha. Será que eu só posso chamá-la assim porque ela é Loira? Se ela fosse negra, seria preconceito? Vejo meus amigos homossexuais se referindo entre iguais com o apelido de “Bi”, “Bi” de “Bicha”. Na minha intimidade, eles muitas vezes me chamam de “Bofe” e fazem brincadeiras de duplo sentido do tipo “Pena que você é “Bofe”. Será que deveria sentir-me ofendido?”, afirma Rodrigo em seu texto.  O ator, que não tem envolvimento político com nenhum causa, sabe discernir as situações, me envergonha saber que ABLGT não sabe.

Amigos militantes saibam que o politicamente correto é chato, careta e atrasa os avanços culturais. Não adianta proibir. Tem que ensinar o respeito pela diversidade. Quem nunca, em um momento de calor emocional, chamou alguém ou algo do que não deveria ou queria na hora? É emoção, pura e simples. E nós (seres humanos) somos cheios delas. Imagina se a Associação de Mães de Juízes e bandeirinhas de Futebol (nem sei se existe) pedisse retratação a cada torcedor que as ofendessem. Jesus amado, ó como seria triste. 

Ontem mesmo estava assistindo ao programa Manhattan Conection, especial com as meninas do Saia Justa, e uma das pautas em questão era exatamente o  tal do politicamente correto.  Para as pessoas públicas esse termo passou a ser visto como censura.  Pudera. Agora, todo mundo tem que ser politicamente correto. Não se pode mais ter opinião individual. Brincar mais. Se divertir sem medo de ofender um negro, gay, obeso, idoso, deficiente qualquer seja...

Concordo na hora de repudiar quando a ofensa é a comunidade.  A sentença do juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho (caso Richarlyson) é um exemplo clássico disso. Acertadamente, a ABLGT fez uma carta de repúdio. Outros casos, como o repórter da Band que vetou um beijo gay e da censura do beijo na novela América também são bem vindo e tem um motivo político por trás.

Obs.: Será que a ABLGT está acompanhando o caso do Juiz Manoel. Gostaria, isso sim, de receber um carta da Associação falando que o juiz foi penalizado por sua sentença homofóbica.

Por fim, vou deixar o texto resposta do ator que acertadamente respondeu a ABLGT. Certo é ele que vive feliz sem medo do politicamente correto. Vivam, vivam!!!

Sr. Presidente Toni Reis,

"Estou parecendo uma Bichona”, bordão da personagem Severino, interpretado pelo grande humorista Paulo Silvino.

Quando na intimidade das aulas de dança para o quadro do Faustão eu repeti esse bordão, não imaginava que isso feriria a comunidade homossexual. Muito pelo contrário, tenho grandes amigos, dentre eles muitos são gays e mesmo sendo de uma cidade pequena, onde o convívio  a diversidade nem sempre é tão habitual, aprendi a respeitar as pessoas, independente de credo, raça, gênero  ou orientação sexual. Respeito para ser respeitado! Esse foi o principal valor que a minha humilde família, humilde em recursos financeiros, mas rica em valores éticos, me ensinou. No entanto, fico um pouco triste em ter que me retratar por algo, que no fundo do meu coração, não teve a intenção de agredir, ridicularizar ou sequer constranger qualquer ser Humano. Entendo que eu tenho, como pessoa pública, que exercitar uma fala e uma atitude politicamente corretas, mas quando reflito a partir do meu coração, confesso que me sinto confuso. Por exemplo, chamo a minha mulher de pretinha. Será que eu só posso chamá-la  assim porque ela é Loira? Se ela fosse negra, seria preconceito? Vejo meus amigos homossexuais se referindo entre iguais com o apelido de “Bi”, “Bi” de “Bicha”. Na minha intimidade eles muitas vezes me chamam de “Bofe”, fazem brincadeiras de duplo sentido do tipo “Pena que você é “Bofe”. Será que deveria sentir-me ofendido? Não sei, mas entendo que não, são meus amigos e temos segurança do laço que nos une, conhecemos uns aos outros, gostamos uns dos outros e isso é o que nos importa para seguir adiante. Sou vascaíno e quando tem jogo do Flamengo e Vasco, convido meus amigos para comerem um churrasquinho e assistirem o jogo comigo. Muitos desses amigos são flamenguistas e, independente do resultado do jogo, alguém será politicamente incorreto até o jogo seguinte, porque este é o pretexto para estarmos juntos, nutrindo a nossa amizade no nosso dia-a-dia. Tenho medo de um dia, por ser tão politicamente correto, passar a sensação, para as pessoas que gosto, de que meu coração esfriou.
Se um pedido de perdão pode ajudar a causa tão nobre da ABGLT, eu o faço dignamente, como prova do meu respeito, mas não reconheço culpa na minha intenção e muito menos no meu coração “politicamente incorreto” que, no entanto, não é menos respeitoso.
 
Rodrigo Hilbert
“O Belo Loiro”, “O loiro simpatizante”, “Bofe”, “Marido da Pretinha”

Postado por Roberto cushman | 17:43:18 | Comentários(70)


28/2/2008

BBB - Chatice pura

Como esses Big Brothers são chatos. Nunca fui muito fã do programa, acho pagação de mico em cadeia nacional. Mas essa edição, eles conseguem superar.  Não posso falar muito, pois não assisto, acompanho pelas notícias.  Mas tem coisas que me irritam muito:

Chatice 1 – Marcelo: Alguém pode me explicar por qual motivo ele quer cuidar tanto da vida dos outros? Que cara chato! Ele não é dono da verdade (muito pelo contrário), seus conselhos são furados e só para lembra psiquiatra não dá conselho!

Com relação à briga dele com a Thati, fico me perguntando por que ele começou. Ele não estava na conversa com o Marcos, não estavam falando dele e nem falsidade era o tema. Aí, chega o senhor dona da verdade e fala tudo o que quer e não quer. Na hora de ouvir a resposta da menina, sai andando como se não fosse com ele.  Por fim, quem disse que ele tem que força o outing da professora?

Alguém já leu o blog desse chato? Ele criou uma novelinha onde retrata o que acontece lá dentro. Puro cinismo.

Chatice 2 – Thati:  Essa menina também é bem complicada. Para que tanto escândalo por causa de beijos. Se já beijou meninas, qual problema?  Eu também e sou gay. Beijou meninos, sem problema. Como as pessoas gostam de complicar a vida.

Entendo e respeito se ela tem problemas com sua sexualidade. Uma vez na vida todo mundo teve. Agora, se o problema é esse, então que fique em casa ou procure um psiquiatra de verdade para se resolver minha filha. O que uma pessoa com dificuldades na sexualidade quer é ser vigiada 24h em um programa como o BBB.

Se ficar com um cara na casa faz parte do jogo dela para vencer que assim seja. Ali todos estão em um jogo e sabe as regras do mesmo. Se ela abusa do otário do Marcos para ganhar, o problema é dela e dele só.  E por tanta esperteza, espero que ela vença.

Chatice 3 – Rafinha e demais integrantes da casa, com as perolas que eles soltam nem precisa explicar, não é? Fala para a menina ficar quieta que ela estava falando demais. Quanta burrice em um lugar só. Acho que o prêmio dessa edição deveria ser doado para ONGS por nenhum deles merecer.

Postado por Roberto | 14:23:2 | Comentários(2)


18/2/2008

Não sei por qual motivo as pessoas insistem em fazer joguinhos de conquista. Ta afim, está. Não está, então, não está. Simples assim. Sem complicações. Se estava e desistiu, ok? Acontece. Mas não. As pessoas insistem em serem complicadas e, consequentemente, manter relações complexas e chatas.

Em tempo, voltei a pensar sobre esse assunto, por causa de um menino aí. Nem conheco ele direito, vi uma vez. Nos falamos e o tal jogo começou. Assumo que esse joguinho está me consumindo por dentro: ansiedade, raiva, paixonite, novidade... É muito sentimento em um só. É sempre tão complexo assim conhecer outra pessoa? Achava que era mais simples. Está parecendo a epoca de adolescência e primeira paixão. Chato. Já passei dessa fase. Estou velho demais para ficar perdendo meu tempo checando se alguém ligou ou pensando de é certo ou não ligar antes dele ou quanto tempo tenho que esperar para responder a msg dele. Chato!

******
Vou na festa do Walério Araújo na quarta-feira. Primeiro para me divertir, depois, como forma de protesto. Ando lendo por aí, em blogs, que "a matéria é pintosa"; ou "o texto tem afetações"; ou "efeminado demais". Cansei dessa história. Acho o Walério super pintosa, afetada e efeminada e adoro ele. Acho criativo, diferente, inteligente... Qual o problema se uma página de uma certa revista gay ficou pintosa. Se ficou mesmo, eu amo. Tem coisa mais pintosa, por exemplo, que as fotos do David LeChapelle, e todo mundo ama? Essa bichas (bichas sim) tinha que parar de se acharem as mais masculas do mundo e aceitar a diversidade de comportamento. Precisamos de uma campanha: Pintosas já!

E se achou ruim, vai reclamar com a pintosa da sua marida....kkkkkk

Postado por Roberto | 15:09:6 | Comentários(1)


30/1/2008

Uma caixa ou um pote para chamar de meu?

Entrei em surto ontem. Depois de uma noite com fondue e vinhos e muita conversa sobre sentimentos, me descobri uma pessoa sem caixa. É assim. Estávamos falando de cartas de amores e poesia. Afirmei que nunca recebi nem mandei nenhuma. Até aí tudo bem. Faz seis anos que estou solteiro e sou uma pessoa difícil, confesso.

A coisa desandou quando meu amigo voltou do quarto com uma caixa. Aquela pequena coisa nunca poderia ter feito um estragado tão grande em uma pessoa, mesmo que fosse feita de ferro.  Com pouco mais de 30cmx10x15, ela era roxa e dentro havia milhares e mais milhares de cartas, recordações, bilhetes amorosos e de carinho.  Ele abriu a caixa e as glândulas lacrimais dos meus olhos ao mesmo tempo.  Em uma tentativa, em vão, de não me importa, perguntei aos presentes, se eles todos tinham caixa iguais ou parecidas. Para meu desespero, a resposta foi afirmativa.

Fiquei um bom tempo sem reação. Pensando e tentado em algum momento da minha vida descobrir se tive, nem que fosse uma caixa de fósforos para chamar de minha. Triste ilusão. Não tinha. Nunca tive e acho que nunca terei. Chorei e fui para casa pensando se o problema era o objeto ou o (não) dono do objeto.  A segunda opção prevaleceu.  Primeiro, achei que era frio. Depois, que viva tão intensamente o presente, que esqueci o passado. Ainda pensei que pudesse ser minha falta de organização, pois lembrei que possuo um postal do Junior de quando ele estava na França e um bilhetinho da Elita e outra da Giovanna no meio das minhas bagunças.

Hoje durante o almoço com o William, repórter da redação, ele confessou que também possui uma caixa, mas com mais coisas de amigos do que amores. Pensei em fazer uma pesquisa e ver quantas pessoas possui uma caixa própria.  Mas corro um risco, vai que nessa pesquisa eu descubra uma verdade que não quero ver. Vai que....

Achei uma solução muito boa e econômica. Passei no supermercado e agora estou devorando meu häagen daz – sozinho e sem dividir com ninguém. 

Troquei uma caixa por um pote. E sem passado ou futuro, devoro ele com vontade e tesão.

Postado por Roberto cushman, em dia uó. | 15:49:11 | Comentários(3)



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Roberto Cushman é colaborador/consultor da revista e do site A Capa

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