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      Destaques GLS: Gay sufocado pela família? 
    Por Sérgio Ripardo* 29/1/2009 - 12:45


 

 "Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hétero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim... Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da Terra."                                             

Essas palavras reais de desespero foram escritas por um estudante de 16 anos em seu diário. Quando completou 20 anos, ele morreu após se jogar de um viaduto, em uma rodovia, no meio de caminhões. O nome dele era Bobby Griffith, e a história dessa tragédia real, ocorrido em 1979, virou um filme para a TV americana, exibido no último final de semana.

"Prayers for Bobby" ("Orações para Bobby"), foi considerado um sucesso para uma produção com um assunto tão dramático. Foram cerca de 3,8 milhões de espectadores na estreia no sábado (24) e 2,3 milhões na reprise no domingo. O número de acessos ao site do canal Lifetime disparou 169%, com internautas sedentos por mais informações sobre o filme, tema obrigatório na comunidade gay de lá nesta semana.

Os críticos de TV adoraram e já apontam a veterana Sigourney Weaver, 59, como favorita ao Emmy 2009, Oscar da TV, na categoria melhor atriz. Ela, famosa nos anos 80 devido aos filmes da série Alien, interpreta Mary Griffith, a mãe de Bobby, que tenta "curar" o filho homossexual com religião e terapia. Após o suicídio do rapaz, ela questiona o fundamentalismo de sua religião, se redime e vira uma militante em prol dos direitos dos gays. Meno male!

                                                          

Fuja da depressão
A história de Bobby é bastante conhecida por estudiosos da homossexualidade. Eles entendem que uma correta educação das famílias sobre o assunto ajudaria a prevenir tragédias como essa. Hoje, 30 anos depois de sua morte, mesmo em metrópoles, as famílias de todos os credos e classes sociais ainda encurralam seus filhos gays para quadros de depressão, revolta e desesperança.

Há diversos estudos alertando que a taxa de suicídios é explosiva entre jovens homossexuais, principalmente entre efeminados, usuários de álcool e drogas, que não resistem a tanta pressão e angústia.

"Um em cada três homossexuais tentou se suicidar pelo menos uma vez nos EUA", cita a psicoterapeuta Marina Castañeda, em "A Experiência Homossexual" (editora A Girafa, 2007, 327 págs), hoje um dos melhores livros com explicações e conselhos para gays, suas famílias e terapeutas.

"A construção da identidade gay dura, em média, 15 anos. Isso implica um longo período de incerteza que, evidentemente, tem um custo afetivo muito elevado. Os anos que muitos homossexuais passam se perguntando e explorando sua sexualidade poderiam explicar seu isolamento e sua imaturidade em certos campos. Em inúmeros casos passaram boa parte de sua juventude em conflitos internos ou em relações problemáticas, engajados na difícil tarefa de compreender a sua identidade sexual", escreve Castañeda.

Opressão religiosa
Uma família esclarecida poderia ajudar bastante a reduzir as taxas de suicídio. Em "Orações para Bobby", pelo contrário, a mãe anda com a Bíblia debaixo do braço e prega post-its com mensagens religiosas no banheiro lembrando o filho do seu pecado. O irmão é a primeira pessoa para quem Bobby se abre, ao contar que sonha com homens, e não com meninas.

A atuação do jovem suicida ficou a cargo do ator Ryan Kelley, 22, que fez participações em séries de TV como "Smallville" e "Ghost Whisperer". Críticos avaliaram bem a interpretação do rapaz, mas ponderam que ele teve a ajuda do trabalho extraordinário de Sigourney Weaver, principalmente nos diálogos em que tenta convencer sua mãe de que não é culpado por sua homossexualidade. A trilha também ressalta o clima deprê do caso, com destaque para o hit "Hope for the Hopeless", da cantora e pianista A Fine Frenzy.

Filmes como "Orações para Bobby" fazem parte de uma nova safra de produções com foco em conflitos homossexuais, antes restrita ao circuito alternativo. O "gay movie" invadiu espaços antes conservadores e virou um filão comercial para a indústria do audiovisual desde o sucesso de "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005).

No Brasil, os canais abertos ainda estão bem atrasados em renovar a discussão desses dramas. O Lifetime, que exibiu "Orações para Bobby", pode ser considerado um canal para donas-de-casa.

Essas produções feitas para a TV não costumam entrar em cartaz nos cinemas brasileiros, como ocorrerá com "Milk - A Voz da Igualdade", de Gus Van Sant, filme sobre o primeiro prefeito gay de São Francisco, com estréia aqui no próximo dia 20 de fevereiro. Mas no YouTube, os fãs não param de postar trechos de "Orações para Bobby", com pedidos comoventes para que sua tragédia não se repita, e que ele consiga, finalmente, descansar em paz.

*Sérgio Ripardo é jornalista e autor do "Guia GLS SP" (Publifolha). Fale com ele: sergio.ripardo@uol.com.br




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Comentários
Olá (A CAPA) por que não sugere que alguma TV aberta do Brasil exiba o FILME, seria muito importante para todos nós e nossas famílias..quem sabe assim o filme os levaria a reflexão de como somos tratados..sei que para as pessoas que dão na cara é mais dificil, mas todos nós merecemos respeito e acesso ao direitos assim como os demais... - Ale - 5/5/2009 23:20:41
É triste ver como as coisas ainda estão acontecendo com as pessoas que tem nasceram diferente da maioria, essa reportagem ilustra bem a vida da maioria, acho que temos que sempre fazer o melhor e conseguir a independencia o mais rapido possivel, comigo pelo menos foi fácil, o ruim é quando se mora longe dos grandes centros, quando se trata de namoros, mas nao tenho muito o que reclamar da vida, acho que tudo tem um propósito e precisamos entender. Tudo a seu tempo.Apesar da minha pouca idade, antes dos 20 ja tinha minha casa e estava terminando o na metade do curso superior...um conselho para as pessoas novas e que querem se livrar das casas dos pais, estudem muito e comecem a trabalhar cedo, é um ótimo escape. e sempre funciona, não dê motivos para a família falar de você, seja o melhor, é dificil, mas é possivel...e depois quando estiver mais livre, aí sim, pode se mandar de casa...boa sorte para todos nós... - Ale - 4/5/2009 22:59:56
isso mesmo chega de sermos humilhados por causa da nossa orientaçao sexual! - edmilson - 21/2/2009 19:02:03
Acabei de assistir O filme é realmente ótimo! A Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo irá exibi-lo na sua sessão de cinema no sabado dia 28 de fevereiro. www.icmsp.org - Paulo - 17/2/2009 16:58:52
Bem eu vivo assim também, meu pai e bicheiro do jogo do bicho, nossa ele fala que se um dia ele me ver beijando outro homem ou andar de mãos dada ele prefere me matar e ocutar o meu cadaver do que ter um filho gay. Eu tenho muito medo.Eu Hoje eu sei que eu sou gay sou discreto , ja namorei rapazes. mais sempre termino o namoro quando ocerco na minha casa começa a se fexa, e por não conseguir um bom emprego eu não sai de casa. Não por mais quanto tempo eu vou aguenter esta situação tem hora que eu quero morer como eu ja tentei me matar tomando 40 comprimido de ranitidina quando eu me apaixonei por um amigo de classe e aquele amor me consumia. hoje sou um homem mais infeliz no mundo que por causa do poder que meu pai eu fico preso na redoma de vidro dele. sou monitorado vinte e quatro horas. para eu poder escrever isto eu tive que pedir para uma amiga minha escrever da casa dela. prefiro ser chamado de lucar meu blog e lucasexplicit.bijos pessoal ficam com Deus... - lucas - 6/2/2009 20:57:46
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