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      Bradesco é condenado a indenizar ex-funcionário vítima de homofobia em R$ 1,3 milhão 
    Por Redação 23/4/2009 - 12:11


 

O Bradesco foi condenado pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) a indenizar um ex-funcionário, vítima de homofobia no trabalho, em R$ 1,3 milhão. As informações são da Folha Online.

Antonio Ferreira dos Santos, 47, trabalhou cinco anos como gerente-geral no Bradesco, durante o período de 1999 e 2004. Na época, Antonio foi demitido por justa causa, porém, alegou ter sido vítima de homofobia afirmando que era chamando de "bicha" e de "veado" por seu gerente-regional.

"Ele não pegava na minha mão. Achava que minha homossexualidade passaria pelo suor", disse o ex-gerente à Folha Online.

Com a demissão, Antonio recebeu uma carta que o informava de seu desligamento da empresa por infringir o artigo 482 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Seus advogados, então, recorreram ao TST para que se aplicasse a lei 9.029 (1995), que proíbe a dispensa discriminátoria do trabalho, seja por sexo, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade.

"Ele sofreu esse assédio e arranjaram uma forma de dizer que estava demitido por justa causa, quando na verdade o motivo da demissão era a homofobia", disse o advogado Bruno Galiano, que representa o ex-gerente na ação.

Segundo o tribunal, o Bradesco, em sua defesa, alegou que não houve qualquer tipo de discriminação, e que o motivo pelo qual Antonio havia sido demitido foi o descumprimento de normas da sua política de crédito e a liberação de recursos "de forma incorreta, sem a devida análise, provocando irregularidades operacionais deveras relevantes", com "operações acima da capacidade de pagamento dos tomadores".

Já Antonio afirma que "cumpria com facilidade as metas [da empresa]" e que, seus colegas, ligavam para ele e pediam "parem de ficar produzindo porque não to conseguindo cumprir aqui". "Também chegavam a dizer 'aquele veado cumpre as metas, por que não posso cumprir?'. Até nisso eu sofria. Meu colega ficava contra mim, porque ele os jogava contra mim", disse.

Segundo o advogado de Antonio, a juíza da primeira instância identificou que não havia mais clima para que o ex-gerente fosse reintegrado ao banco. Sendo assim, foi determinando que ele receba os vencimentos em dobro, desde 2004, quando foi demitido, até quando o Bradesco não puder mais recorrer.

Como Antonio recebia R$ 5 mil, o valor de cada salário passaria para R$ 10 mil. "Chega a esse valor alto porque, de 2004 até 2009, dá 60 meses aproximadamente, o que daria R$ 600 mil de vencimentos, mais R$ 200 mil de indenização, que dá R$ 800 mil. Com a correção aproximadamente, nós colocamos R$ 1 milhão e com mais um prazo de dois anos até trânsito e julgado [fim dos recursos] do processo mais R$ 300 mil. Foi o cálculo estimado que fizemos", disse o advogado, que considera difícil, mas não descarta a possibilidade de haver uma reforma no julgado.

Durante o processo indenizatório, Antonio conseguiu encontrar várias testemunhas para comprovar que sofria de homofobia. "Essa causa não é minha. As empresas têm de pensar duas vezes antes de fazer uma desgraça dessa com uma pessoa", declarou.

De acordo com a assessoria de imprensa do Bradesco, o banco irá recorrer da decisão, e não comenta assuntos que ainda estão sob a esfera judicial.




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Comentários
Justiça seja feita! O nosso país tem muito preconceito camuflado. Seja porque o indivíduo é negro, ou pobre, porque tem esta ou aquela formação... Inúmeras formas de esteriotipar uma pessoa são utilizadas como padrão de uma sociedade verde, que ainda não amadureceu para o verdadeiro sentido de comunidade, equipe e família. - Julimar Falconiere - 3/6/2009 03:34:23
PArabéns é isso ai mesmo afinal de contas são atitudes assim que muitos de nós conquistamos nosso espaço na sociedade e somos respeitados pelo aquilo que somos. - Jowk Monnier - 4/5/2009 13:57:01
Parabéns Antonio e torço por vc,pois já sofri várias vezes tbm em meu trabalho com este tipo de preconceito e farei o mesmo se isso acontecer comigo tbm. - Genival - 28/4/2009 13:39:38
Bem, eu na verdade tenho muita sorte, meu chefe é um doce. Ele é casado, tem esposa, filhos, e me aceita numa boa. Me trata com respeito e tb ficou chateado com essa noticia de homofobia. Ele sempre fala que depois que ficou sabendo de mim, nada mudou, pq nem desconfiava, ai eu me abri, falei do meu parceiro, da minha vida, como sou, em fim, contei tudo a ele, ai nossa relação ficou melhor ainda, pois ele passou a entender mais ainda como somos nos dia a dia, se todos os patroes fossem assmi o mundo seria melhor. Esse cara tem que ferrar o bradesco mesmo, eu conheço outro gerente de um bradesco da lapa-SP que tb sofre este preconceito, aco que ele tb deveria abrir a boca e falar, e pedir indenização, ai o Bradesco ia aprender a lidar com isso. Não creio que os grandes dirigentes do Bradesco saibam que tem mais funcionarios deles por ai que se acham os todos poderosos e querem acabar com as Gays. BRADESCOOO, FICA ESPERTO, DE MILHÃO EM MILHÃO VCS PODEM SE DAR MAL VIU.... - apollo - 28/4/2009 10:41:32
Que bom que a Justiça, nesse caso, não foi cega. O preconceito e a homofobia existem, sim. Essas anormalidades - causadas pelo próprio homem - contra seu semelhante - devem ser denunciadas e combatidas. Espero que esse gerente ganhe até mais do que merece. Ele foi prejudicado não só financeiramente, mas moralmente. - Robson - 25/4/2009 15:23:07
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