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      A hipocrisia gay, por Lindinalva 
    Por Lindinalva Zborowska* /Ilustração: Eliandro Ramos 22/12/2009 - 12:18


 

A Cachorra de G-zuz

A editoria pede, euzinha lavo a roupa suja aqui mesmo. E toda tchurminha de bilús não está completa sem ela, a Cachorra de G-zuz. Mas quem é essa bilú que se esconde em toda tchurminha, aprontando horrores? Ela é a bixa mais hipócrita que existe. A do tipo: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Aliás... eu não faço nada. Sou uma santa, sou da liga das senhoras católicas e acho um horror toda essa coisa de pegação. Ela continua: Estou procurando um namorado, um cara legal e fora do meio, e só vou na buatchi pra me divertir com meus amigos. MAGINA!! Nunca nem beijei em buatchi e não tô a fins de enfrentar a loteria do amor e do sexo em uma pista. Afinal... gente bacana é o que não se encontra lá.

Em toda tchurminha tem sempre uma bilú alegre, solteira e feliz com sua sexualidade, que explora absolutamente tuuuuudo e não está nem aí em contar pros outros os babados que faz aqui, alí e acolá (entendam o darkroom, o reservado do banheron, a sauna e o disponivel.com). Sexo para ela é esporte e ela quer é ganhar a medalha de ouro das olimpíadas do sexo.

E aí... nesse momento lindo onde as travessuras sexuais de nossa amigutcha começam a chamar mais atenção do que o discurso moralista da cachorra de G-zuz, é onde a chama da inveja e do ciúme acende. Ela começa a fazer a cama pra acabar com a atual rainha das atenções da tchurma. E, logicamente, o caminho é sempre o de insinuar que a bilú-galinha-feliz está dando em cima do cafuçú da ciumenta da tchurma. Porque toda tchurminha que se preze tem uma bixa barraqueira, pavio curto e ciumenta!!

E como ela faz isso? Bom... a primeira coisa é saber quem é a fofoqueira da tchurma. Upsss!!! É!!! Toda tchurma sempre tem uma bixa linguaruuuuuda, ou, às vezes, mais que uma. Porque tchurma de bixa sem fofoca, não é tchurma, é suruba!!

Mas... voltando ao plano maléfico da cachorra... Ela insinua pra fofoqueira a tal da traição inventada por ela, normalmente com perguntas para induzir um pensamento lógico (método socrático). Algo do tipo: “O Marcelo e o Jorge já se conheciam antes? Ah não... sei... que estranho... Como eles se dão bem, você não acha? Você não acha eles meio intímos demais, não? Quem foi que me falou que o namorado dele era ciumento mesmo?” E por aí vai.

Como a bilú-fofoqueira também adora ser o centro das atenções, a sua imaginação já faz daquelas insinuações uma verdade absoluta e ela conta pra uma outra, e pra outra, e a fofoca chega até aos ouvidos da bilú-ciumenta. Aí meu bem... problemão à vista que vai ter porrada, puxa cabelo e muuito, mas muito, disse-me-disse.

Nisso, a nossa querida cachorra de g-zuz só diz: OH!! QUE HORROR!! Eu disse que pegar cafuçú em boate dá sempre nisso!! E assim ela reforça a mentira criada na cabeça dela, mas nunca dita, além de reforçar pras outras bilús da tchurma que a tese dela está é mais do que correta. É um drama do cacete. Como ela não falou nada... Foi a fofoqueira que imaginou.... Ela sai leeeeenda da situação e – no mínimo – a galinha-feliz é que se ferra e vai rapidinho para o ostracismo.

Mas sabe aquele horário, no meio da noite, em que várias das bilús somem e só reaparecem quando o sol está quase raiando? Aonde foi parar a cachorra de G-zuz?. Ahhh meu bem... ela foi mais que rapidamente dar um pulinho no darkroom. Afinal ela é filha de Deus, precisa dar uma aliviada e nada melhor do que trocar uns fluídos corporais onde ninguém consegue ver. Um bonézinho, um bom zóclon escuros, uma voltinha pra ver quem está ali por perto da porta do darkroom e zooom! Sumiu ela porta adentro e sabe-se lá quando ela vai sair.

Um cinemão em plena terça-feira, uma sauna na quarta. Uma ida à boate bagaceira que a tchurminha não frequenta. Tudo muito bem dissimulado. Vale até passear com o cachorro em frente aquele bar de pegação só pra ver se tem alguém interessante entrando ou saindo. Uma cantada básica ali na porta (afinal o cachorrinho é uma coisa fofa que todo mundo gosta) e ela se dá bem, aquenda o bofe em casa leeeenda. Sem testemunhas, fica aliviada e feliz, mas sem que ninguém saiba das escapadas dela.

E eis que um dia você resolve ir a um desses lugares, só pra fazer uma coisa diferente, só pra sair da mesmice, e dar uma explorada no que o mercado tem pra oferecer. Aí você dá de cara com a cachorra de G-zuz leeenda fazendo uma pegação babadex. Quiridjinha, coitada dos seus ouvidos... A primeira coisa que ela diz é: Ai Beee, que lugar estranho esse aqui. É minha primeira vez aqui. Sabe, uma amiga insistiu tanto pra eu vir, mas eu não tô me sentindo bem aqui não. E vai... e vai... lamúrias e mais lamúrias, a estranheza, a opinião de outras pessoas, que ela acreditou que o lugar era babado e inocentemente perdeu o seu tempo. Mas já tinha pago pra entrar, resolveu ficar um pouco com esperança de melhorar. E a sua pegação? A sua diversão? Sua caçassão? Ou seja... você broxa LI-TE-RAL-MEN-TE e não há Viagra, Cialis ou Levitra que ajudem você a achar o seu ex-marido de daqui a meia-hora.

Hellooo cachorra de g-zuz. Ninguém está interessado em todas essas justificativas. Somos todas bilús modernas, pagamos nossas contas e se você vai aqui, alí ou acolá, (o darkroom, a sauna ou o cinemão) o problema é seu. E o que você faz com sua bunda murcha entonces quiridjinha... Não quero nem imaginar.

Eu só pergunto: pra quê? Carece elaborar um discurso moralista pras amigas, pra tentar manter uma reputation pela qual ninguém está interessado? E depois agir como uma cadela na surdina. Pras amigas ela está lá, de branco e bouquet na mão, esperando pelo príncipe encantado. Ou fica lá no canto da pista parecendo uma adolescente no baile de formatura, esperando alguém tirar pra dançar. Virou as costas ela é a maior tarada, mas só faz “coisinhas” no escuro.

Alguém por favor me diga qual é o problema desse viado. Quer fazer... faz bixa! Não quer contar, tudo bem... vamos conversar sobre o último capítulo da novela. Acho até melhor, porque uma cadela dessas descre-
vendo uma cena de putaria, me dá pesadelos. E gosto de meu sono da mais-beleza (como diz sua realeza Tony Goes), sem agitos, fico paradinha de bruços a noite toda, que é pra não amassar o popozon. Entones, nesse momento leeeendo, eu peço encarecidamente à todas as cachorras de G-zuz por esse Brasil afora. Qué fazê, fia, faiz. Qué contá, conta. Qué fazer na surdina... não é problema meu.

Mas poupe meus ouvidos de tanta hipocrisia. FAIZ FAVOIRE!!!

E é o que temos para o momento, té + e sucesso!!!

** Matéria originalmente publicada na edição nº 18 da revista A Capa - Especial Consciência Negra - Novembro de 2008.
* Lindinalva é uma doméstica babadeira, a empregadinha de sucesso das bilus. Acesse aqui sua área de serviço




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Comentários
O problema com a mídia voltada para o público gay é de achar que todo gay faz parte desse mundinho fashion que se resume a baladas e putaria. Daí a imagem estereotipada e esse linguajar chulo desse autor. Sinceramente viu... - Luiz - 10/8/2010 16:32:23
Como se todo mundo vivesse de buate, rodinhas e dark roon, e ae, naum seria vc uma dessas, ou essa máteria seria uma resposta pessoal pra alguma bagaceira amiga sua, ao editor, use esse espaço pra coisa mais interessante!!!! - etofloripa@hotmail.com - 22/1/2010 20:22:49
Faça amizades com quem vale a pena. Ninguém te obriga a fazer parte dessa chamada "tchurminha." - Igor - 1/1/2010 14:38:17
Sugiro ao autor do texto que vá ler bons livros: João Silvétio Trevisan; tudo do Drummond; Luiz Mott e os excelentes artigos que Marcelo Heiler publica aqui. - Renan BArbosa SAntanelli - 30/12/2009 10:16:36
Quem usa esse tipo batido de linguagem é que é HIPÓCRITA! Fora que já está tão banal e nada oferece de criativo, nem mesmo uma reflexão... pior, acha que tem talento para a escrita e é arrogante... uma pena que A CAPA dê risadas com isso e promova esse tipo de escrita e diálogo com seu leitor... muito pobre... - RICARDO ROCHA AGUIEIRAS - 30/12/2009 10:13:33
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